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    mata atlântica

    Regeneração em áreas abandonadas de mata atlântica anima pesquisadores

    EDUARDO GERAQUE
    DE SÃO PAULO

    29/05/2017 02h00

    Depois de séculos de destruição, a regeneração da mata atlântica em alguns locais do país começa a animar os pesquisadores da área.

    Essa visão positiva de cientistas se dá mesmo que a recomposição florestal ocorra em áreas pequenas e fora de Minas Gerais e Bahia, onde o desmatamento prevalece.

    Mata Atlântica

    De acordo com o mapeamento da rede Global Forest Watch, que enxerga áreas com boa precisão, a mata atlântica voltou a crescer em 489.816 hectares entre 2000 e 2014. Os 12% de mata que restam no Brasil cobrem 16,3 milhões de hectares.

    "Estamos conseguindo reverter o processo histórico de predomínio de desmatamentos para iniciar uma era de predomínio da regeneração", afirma Pedro Brancalion, pesquisador do Laboratório de Silvicultura Tropical da USP, em Piracicaba (SP).

    O próprio campus uspiano do interior paulista é um exemplo de regeneração, segundo Brancalion. "Por meio do trabalho de alunos da graduação, a cobertura florestal do local duplicou".

    Reprodução/Google
    Foto de julho de 2016 de área desmatada por fortes vendavais um mês antes
    Foto de julho de 2016 de área desmatada por fortes vendavais um mês antes

    Apesar de todo o desenvolvimento científico das últimas décadas, que gerou receitas de como recompor a floresta atlântica, a maior parte das áreas regeneradas surgiu pela total ausência da intervenção humana.

    "A recuperação florestal tem ocorrido principalmente em áreas de menor aptidão agrícola que são abandonadas", afirma o pesquisador.

    Tanto o êxodo do campo para as zonas urbanas como o abandono de cultivos em áreas muito íngremes, onde as máquinas não conseguem operar, estão abrindo espaço para a mata.

    Um dos problemas das áreas abandonadas pelos proprietários rurais, segundo o pesquisador Ricardo Ribeiro Rodrigues, também da USP, é que, por simples inércia, a mata volta a crescer, mas não com qualidade.

    Reprodução/Google
    Foto de maio de 2017 da mesma área que foi atingida por tempestade; já se nota a recuperação da mata
    Foto de maio de 2017 da mesma área que foi atingida por tempestade; já se nota a recuperação da mata

    "A paisagem, muitas vezes, não permite a chegada de novas espécies porque são poucos fragmentos", diz Rodrigues. Nestes casos, os locais precisam ser monitorados e enriquecidos com outras espécies, uma receita que muitas vezes custa caro.

    Há exemplos, segundo ele, a demonstrar que o caminho da regeneração passou a ser viável dos pontos de vista econômico e ecológico.

    Para o dono da terra, o ganho com a regeneração pode compensar o prejuízo registrado pelo abandono das áreas para agricultura.

    Em tempos de escassez hídrica, ter a mata atlântica ao redor dos mananciais é uma solução para evitar que falte água nas torneiras.

    Brancalion, aliás, tem sugestões sobre isso. Fortalecer a proteção do que sobrou é uma delas. "Muitas de nossas reservas são abandonadas", comenta.

    A segunda é a recuperação da floresta em áreas vitais tanto para o homem como para a natureza. "O produtor precisa ser bem remunerado pela proteção florestal ou por produtos extraídos dela", diz.

    Mas será que nas áreas regeneradas em que a flora voltou, a vida animal está presente com qualidade? "Existem florestas há mais tempo regeneradas, como a da Tijuca, no Rio, onde os anfíbios vivem bem", diz Célio Haddad, cientista da Unesp.

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