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    DW

    Nos oceanos, há uma São Paulo de zonas mortas

    DA DEUTSCHE WELLE

    03/08/2017 14h17

    Picture Alliance/AP
    Proliferação de algas no Lago Erie (EUA), em 2014
    Proliferação de algas no Lago Erie (EUA), em 2014

    As chamadas zonas mortas dos oceanos –águas que, de tão desprovidas de oxigênio, não permitem a vida marinha– estão se espalhando. A última estimativa é de que haja 405 dessas áreas em todo o mundo, cobrindo 245 mil quilômetros quadrados, o equivalente ao estado de São Paulo ou ao território do Reino Unido.

    Só no Golfo do México, uma zona morta teria atingido mais de 20,7 mil km² –a maior expansão já registrada na região. A zona morta do Mar Báltico, por sua vez, aumentou para 60 mil km² nos últimos anos. As áreas com escassez de oxigênio podem se desenvolver naturalmente, mas cientistas acreditam que a ação do ser humano desencadeia ou agrava o surgimento das zonas mortas.

    A água excedente de irrigação de fazendas e de sistemas de esgoto, rica em nitrogênio e fósforo, pode estimular um desenvolvimento explosivo de algas.

    E quando as algas morrem, decompõem-se, absorvendo oxigênio enquanto afundam.

    No caso da zona morta do Golfo do México, os adubos e os fertilizantes usados na produção de enormes quantidades de milho e soja destinados à alimentação de animais são os maiores culpados pelo seu surgimento, segundo um relatório da organização ambiental Mighty Earth. O grupo apontou a Tyson Foods, a maior produtora de carne dos Estados Unidos, como um dos maiores vilões.

    O aumento das temperaturas da água por causa das mudanças climáticas também está agravando o problema, dizem cientistas.

    A expansão das zonas mortas é má notícia para a indústria da pesca e também pode afetar banhistas com o fechamento de algumas praias devido à poluição e ao mau cheiro.

    O aumento das áreas sem oxigênio nos oceanos não é inevitável, segundo cientistas: a expansão anual da zona morta do Golfo do México poderia ser reduzida de forma significativa, por exemplo, com uma queda de 59% nas águas excedentes de irrigação despejadas no Rio Mississippi.

    Porém, os especialistas alertam que medidas como essa vão requerer ações rápidas de legisladores e da indústria.

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