Folha de S.Paulo

Contra desmatamento, cacique pataxó prega que índios foquem o turismo


Toda a complexidade que envolve o termo desenvolvimento sustentável, por mais desgastado que ele esteja, está explícita em Porto Seguro (BA), aos pés do monte Pascoal, a montanha que motivou a esquadra de Cabral a anunciar "terra à vista".

Um dos pontos em vermelho nos mapas gerados pela ONG SOS Mata Atlântica e pelo Inpe mostra que o desmatamento da mata atlântica entre 2015 e 2016 aumentou dentro dos limites do Parque Nacional do Monte Pascoal.

"A retirada de madeira ocorre por causa dos índios e dos brancos também", afirma Osiel Ferreira Pataxó, 57, cacique da aldeia Pé do Monte.

Ele prefere que a sua gente ganhe a vida de outra forma. "Você sabe como funcionava o celular do índio?", pergunta o cacique ao repórter. Ao seu lado, dentro da floresta atlântica que cerca o monte Pascoal, uma gindiba, árvore gigantesca.

O cacique Pataxó começa a bater de forma ritmada no tronco da árvore para mostrar como os antigos índios se comunicavam entre si dentro da floresta.

"Nós precisamos de infraestrutura adequada para ganhar dinheiro com o turismo. Muitos visitantes, inclusive do exterior, costumam vir aqui", diz.

Na visão do líder indígena, o turismo, em vez do desmatamento, é a grande saída para as 17 aldeias que existem na região.

A madeira extraída do parque abastece fábricas de artesanato de cidades vizinhas. Elas exportam os produtos para vários comércios populares, inclusive os de São Paulo.