Folha de S.Paulo

Com duração imprevisível, Lava Jato já tem 37 fases e 364 investigados só no STF


O juiz Sergio Moro, principal figura da Lava Jato, afirmou neste mês que o fim da operação é 'imprevisível'.

Veja o balanço das investigações, iniciadas em março de 2014 e que tiveram sua fase mais recente na última quinta-feira (17).

37 FASES

2014

Lava Jato (março)
2ª fase (março)
3ª fase (abril)
4ª fase (junho)
5ª fase (julho)
6ª fase (agosto)
Juízo Final (novembro)

2015

8ª fase (janeiro)
My Way (fevereiro)
Que País É Esse (março)
A Origem (abril)
12ª fase (abril)
13ª fase (maio)
Erga Omnes (junho)
Conexão Mônaco (julho)
Radioatividade (julho)
Pixuleco (agosto)
Pixuleco 2 (agosto)
Nessun Dorma (setembro)
Corrosão (novembro)
Passe Livre (novembro)
Prisão Delcídio (novembro)

2016

Triplo X (janeiro)
Acarajé (fevereiro)
Aletheia (março)
Polimento (março)
Xepa (março)
Carbono 14 (abril)
Vitória de Pirro (abril)
Repescagem (maio)
Vício (maio)
Abismo (julho)
Caça-Fantasmas (julho)
Resta Um (agosto)
Arquivo X (setembro)
Omertà (setembro)
Prisão Cunha (outubro)
Dragão (novembro)
Calicute (novembro)

NÚMEROS

R$ 3,1 bilhões alvo de recuperação, sendo R$ 568,7 milhões já repatriados

70 acordos de delação

41 acordos de delação homologados pelo Supremo Tribunal Federal

364 investigados no Supremo Tribunal Federal

299 denunciados (49 no Supremo Tribunal Federal e 250 na Justiça Federal do Paraná)

159 réus (2 no Supremo Tribunal Federal e 157 na Justiça Federal do Paraná)

82 condenados pela Justiça Federal do Paraná e 0 pelo Supremo Tribunal Federal

PRINCIPAIS INVESTIGADORES E JUÍZES

NA POLÍCIA FEDERAL

Marcio Adriano Anselmo
Delegado, deu início à Lava Jato com investigação de doleiros, em 2013

Igor Romário de Paula
Coordenador da Lava Jato, é chefe da delegacia de combate ao crime organizado

Filipe Pace
Comanda os inquéritos sobre os ex-ministros Guido Mantega e Antonio Palocci

Érika Marena
Delegada, também deu início à Operação Lava Jato e é especialista em crime financeiro

NO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL NO PARANÁ

Deltan Dallagnol
Especialista em lavagem de dinheiro. É coordenador da força-tarefa da Lava Jato

Roberto Pozzobon
Professor de direito, também faz parte da força-tarefa da Lava Jato no MPF do Paraná

Carlos Fernando Lima
Um dos principais membros da força-tarefa, atuou no caso Banestado

NA PROCURADORIA-GERAL DA REPÚBLICA

Rodrigo Janot
Responsável pelas denúncias de políticos, foi criticado por congressistas alvos da operação

NO JUDICIÁRIO

Sergio Moro
Juiz federal no PR, é especialista em crimes financeiros, atuou no caso do Banestado

Vallisney Oliveira
Juiz federal no DF, é responsável por uma ação contra Lula, e pelas operações Zelotes e Métis

Teori Zavascki
Ministro do STF, é o relator da Lava Jato na corte. Julga quem tem foro privilegiado

ÚLTIMOS ALVOS

Lula (PT)

29.jul
Justiça Federal do DF aceita denúncia contra o ex-presidente e mais seis por tentativa de obstruir a Lava Jato. Ele teria participado de trama para comprar a delação de Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras

20.set
Justiça Federal do PR aceita denúncia contra o ex-presidente sob acusação de lavagem de dinheiro e corrupção no caso do tríplex de Guarujá. Foi apontado como beneficiário de R$ 3,7 milhões de propina da OAS

O que mais há contra ele
É réu, desde outubro, sob acusação de corrupção, lavagem de dinheiro, tráfico de influência e organização criminosa por favorecer a Odebrecht. Também é investigado por reformas em sítio em Atibaia (SP) e em piscina no Palácio da Alvorada. O ex-presidente nega todas as acusações contra ele

Eduardo Cunha (PMDB)

13.out
Juiz Sergio Moro aceita denúncia contra o ex-deputado, sob acusação de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Cunha é acusado de receber R$ 5 milhões do esquema da Petrobras em contas na Suíça

19.out
É preso por ordem de Moro. Para o juiz, a liberdade de Cunha era um risco ao andamento da investigação, além de haver chance de fuga

O que mais há contra ele
É réu sob acusação de corrupção e lavagem de dinheiro, pois teria recebido US$ 5 milhões em propina por navios-sonda. É alvo de cinco inquéritos, sobre desvios em fundo da Caixa, abuso de poder na Câmara, além de propinas em Furnas, de obras do Porto Maravilha e por aprovação de emenda favorável ao BTG Pactual. Cunha nega as acusações

Gleisi Hoffmann (PT) e Paulo Bernardo (PT)

27.set
STF acolhe denúncia de maio contra a senadora Gleisi Hoffmann e o marido dela, o ex-ministro Paulo Bernardo. A campanha de Gleisi em 2010 teria recebido R$ 1 milhão do esquema da Petrobras

O que mais há contra eles
O casal também é investigado por um suposto esquema no Ministério do Planejamento, em que uma empresa de crédito consignado superfaturava seus serviços, pagando propina ao ex-ministro, que chegou a ser preso. O casal nega as suspeitas

Antonio Palocci (PT)

3.nov
Juiz Sergio Moro aceita denúncia de outubro contra o ex-ministro, que se torna réu sob acusação de corrupção e lavagem de dinheiro. Ele é suspeito de coordenar a propina paga pela Odebrecht ao PT (R$ 128 milhões entre 2006 e 2013), incluindo US$ 10 milhões pagos ao publicitário João Santana

O que mais há contra ele
Palocci teria ficado com R$ 6 milhões do esquema para si. Em troca, teria atuado para beneficiar a Odebrecht com lei para benefícios fiscais, licitação da Petrobras e aumento de crédito do BNDES. A defesa nega

Dilma Rousseff (PT)

15.ago
STF determina abertura de inquérito para investigar a então presidente afastada. A suspeita é que ela tenha tentado atrapalhar a Lava Jato. São alvos ainda Lula e os ex-ministros José Eduardo Cardozo e Aloizio Mercadante

O que mais há contra ela
Há ainda suspeita de que Andrade Gutierrez e OAS teriam pago despesas da campanha de 2010 via caixa dois. Além disso, Odebrecht teria pago ao marqueteiro de Dilma, João Santana, durante a campanha de 2014. Dilma nega todas as suspeitas contra ela

José Serra (PSDB)

7.ago
Folha revela que a Odebrecht irá afirmar em delação que pagou R$ 23 milhões via caixa dois para a campanha de Serra à Presidência em 2010. Ainda segundo a delação, o valor foi pago por meio de uma conta na Suíça. Serra nega ter recebido dinheiro de caixa dois

Michel Temer (PMDB)

6.ago
De acordo com delação da Odebrecht, o presidente teria pedido apoio financeiro ao PMDB, e a empresa teria repassado R$ 10 milhões em dinheiro vivo a integrantes do partido em 2014. A operação foi contabilizada no departamento de propina da empresa

O que mais há contra ele
Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, diz que Temer negociou com ele R$ 1,5 milhão em propina para a campanha de Gabriel Chalita à Prefeitura de SP em 2012. Em mensagem a Eduardo Cunha, Léo Pinheiro, da OAS, menciona pagamento de R$ 5 milhões a Temer. Ele nega envolvimento

Guido Mantega (PT)

22.set
Ex-ministro é preso acusado de pedir ao empresário Eike Batista o repasse de R$ 5 milhões para pagar dívidas de campanha do PT, em novembro de 2012. Ele teria recebido R$ 50 milhões da Odebrecht para repassar ao PT

O que mais há contra ele
É investigado por outra operação da PF, a Zelotes, na qual é suspeito de ter indicado um conselheiro para um órgão da Receita que, por sua vez, beneficiou uma empresa da qual teria recebido propina. A defesa nega as acusações

Sérgio Cabral (PMDB)

17.nov
Ex-governador do Rio é preso sob acusação de ter recebido R$ 224 milhões em propina por obras no Estado como a reforma do Maracanã, o denominado PAC Favelas e o Arco Metropolitano. Segundo as investigações, Cabral recebia mesadas da Andrade Gutierrez e da Carioca Engenharia

O que mais há contra ele
A Odebrecht também afirmou que Cabral cobrava propina por obras e seu nome aparece em planilhas da empresa apreendidas pela Polícia Federal. A mulher do ex-governador recebeu um anel de R$ 800 mil de Fernando Cavendish, dono da empreiteira Delta, que é investigado na Operação Saqueador e chegou a ser preso em junho. Cabral diz que nunca pediu benefício financeiro próprio

DELAÇÕES

2014

Alberto Youssef, doleiro
Em outubro, um dos primeiros delatores começou a prestar seus depoimentos. Ele deu uma explicação geral do esquema de propinas na Petrobras, mencionando dirigentes, empreiteiras e políticos como José Dirceu (PT) e Eduardo Cunha (PMDB)
Multa de R$ 1,89 milhão e imóveis

2015

Ricardo Pessoa, dono da UTC
Em junho, disse que pagou propina a quase 20 políticos, inclusive por meio de doações eleitorais. Na lista estão a campanha de Dilma (PT) em 2014, Lula (PT), Fernando Haddad (PT), José Dirceu (PT), Aloizio Mercadante (PT) e Edison Lobão (PMDB)
Multa de R$ 51 milhões

Julio Camargo, lobista
Delação homologada em 2014, teve o principal conteúdo divulgado em julho do ano seguinte, sobre Eduardo Cunha (PMDB). Camargo disse que Cunha recebeu propina de US$ 5 milhões por um contrato de navios-sonda. Também afirmou ter pago propina ao PT e ao PMDB e implicou José Dirceu (PT)
Multa de R$ 40 milhões

2016

Delcídio do Amaral, ex-senador (ex-PT-MS)
Em março, ele disparou contra diversos políticos. Acusou Dilma Rousseff (PT) e José Eduardo Cardozo (PT) de agirem para liberar empreiteiros presos. Disse ainda que Lula (PT) tentou silenciar o ex-diretor Nestor Cerveró, que Michel Temer (PMDB) tinha influência na Petrobras e que Aécio Neves (PSDB) recebeu propina em Furnas
Multa de R$ 1,5 milhão

Andrade Gutierrez
Em abril, soube-se que executivos afirmaram que a empresa doou a Dilma Rousseff (PT) com dinheiro desviado e pagou despesas da campanha via caixa dois. Também disseram ter pago propina em obras dos estádios da Copa, das usinas de Belo Monte e Angra 3 e na ferrovia Norte-Sul
Multa de R$ 1 bilhão (valor acertado em acordo de leniência)

Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro
Em junho, soube-se que ele afirmou ter pago propina a mais de 25 políticos, por meio de doações eleitorais ou dinheiro vivo, incluindo Renan Calheiros (PMDB), Aécio Neves (PSDB) e Gabriel Chalita (PDT), sendo que, neste último caso, o repasse foi negociado por Michel Temer (PMDB)
Multa de R$ 75 milhões

Futuro

Odebrecht
Megadelação, com cerca de 70 funcionários envolvidos, deve mencionar pagamentos para o presidente Michel Temer (PMDB), o ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) e o secretário Moreira Franco (PMDB), além do senador Romero Jucá (PMDB-RR). Também deve delatar pagamento de R$ 23 milhões via caixa dois na Suíça para a campanha de José Serra (PSDB) em 2010 e pagamentos no exterior para João Santana, marqueteiro de Dilma Rousseff (PT) em 2014. Segundo os delatores, os ex-ministros Guido Mantega (PT) e Antonio Palocci (PT) receberam R$ 50 e R$ 6 milhões em propina. Planilhas da empresa indicam pagamento de propinas a mais de 300 políticos

Eduardo Cunha
Logo após sua prisão, em outubro, o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) contratou o escritório do advogado Marlus Arns, especialista em delação, para integrar sua defesa. Arns já defende a mulher de Cunha, Cláudia Cruz, que responde por corrupção. A prisão de Cunha aprofundou o temor de uma delação em Brasília. Um dos primeiros alvos de Cunha, especula-se, seria Moreira Franco (PMDB), secretário e aliado do presidente Michel Temer

Duda Mendonça
Após saber que seria citado em delação da Odebrecht, o marqueteiro Duda Mendonça passou a negociar a sua própria. Afirmou que recebeu da empreiteira, via caixa dois, parte do pagamento pela campanha de Paulo Skaf (PMDB) de 2014

PRINCIPAIS CONDENADOS

Empreiteiros

Ricardo Pessoa
Dono da UTC Engenharia e da Constran. Condenado a 8 anos e 2 meses. Multa de R$ 51 milhões (valor acertado em delação premiada)

Sérgio Cunha Mendes
Ex-vice-presidente da Mendes Junior; Condenado a 19 anos e 4 meses. Multa de R$ 1,41 milhão

Augusto Ribeiro de Mendonça Neto
Ex-sócio da Setal. Condenado a 16 anos e 8 meses. Multa de R$ 10 milhões (valor acertado em delação premiada)

Gerson de Mello Almada
Um dos donos da Engevix. Condenado a 34 anos e 6 meses em duas condenações. Multa de R$ 1,74 milhão

Dalton dos Santos Avancini
Ex-presidente da Camargo Corrêa, Condenado a 15 anos e 10 meses. Multa de R$ 5 milhões (valor acertado em delação premiada)

Léo Pinheiro
Ex-presidente e sócio da OAS. Condenado a 16 anos e 4 meses. Multa de R$ 2 milhões

Dario de Queiroz Galvão Filho
Diretor-presidente do Grupo Galvão. Condenado a 13 anos e 2 meses. Multa de R$ 500 mil

Marcelo Bahia Odebrecht
Ex-presidente do Grupo Odebrecht. Condenado a 19 anos e 4 meses. Multa de R$ 1,13 milhão

Ex-dirigentes da Petrobras

Jorge Zelada
Ex-diretor da área Internacional da Petrobras. Condenado a 12 anos e 2 meses. Multa de R$ 1,3 milhão

Nestor Cerveró
Ex-diretor da área Internacional da Petrobras. Condenado a 23 anos e 11 meses em três condenações. Multa de R$ 18 milhões (valor acertado em delação premiada)

Paulo Roberto Costa
Ex-diretor de Abastecimento da Petrobras. Condenado a 74 anos 6 meses e 10 dias em sete condenações. Multa de R$ 74 milhões (valor acertado em delação premiada)

Renato Duque
Ex-diretor de Serviços da Petrobras. Condenado a 50 anos e 8 meses e 10 dias em três condenações. Multa de R$ 3 milhões

Operadores

Alberto Youssef
Doleiro. Condenado a 78 anos e 11 meses e 10 dias em seis condenações. Multa de R$ 1,89 milhão e imóveis

Fernando Soares (Baiano)
Lobista. Condenado a 22 anos e 1 mês e 10 dias em duas condenações. Multa de R$ 13,5 milhões e imóvel

Políticos

José Dirceu
Ex-ministro (PT). Condenado a 20 anos e 10 meses. Multa de R$ 1,73 milhão

João Vaccari Neto
Ex-tesoureiro do PT. Condenado a 31 anos em três condenações. Multa de R$ 1,25 milhão

POLÊMICAS

Prisão de Guido Mantega
Ao cumprir um pedido de prisão contra o ex-ministro, a Polícia Federal o encontrou no hospital Albert Einstein, onde sua mulher estava prestes a ser operada. As circunstâncias da prisão foram duramente questionadas por petistas. No mesmo dia, o juiz Sergio Moro revogou a prisão. A Polícia Federal afirmou que a coincidência com a cirurgia foi infeliz

Powerpoint de Lula
Procuradores da República no Paraná foram criticados por anunciar uma denúncia contra Lula com transmissão pela TV, e, segundo a defesa, sem apresentar provas. Na apresentação, um dos procuradores afirmou não ter "prova cabal" do caso. O símbolo do episódio foi o Powerpoint que colocava Lula ao centro do esquema e virou piada na internet

JD não é Dirceu
Em planilha da Odebrecht que indica repasses de propina supostamente ordenados pelo ex-ministro Antonio Palocci ao PT, a sigla JD fora identificada pela Polícia Federal como referência ao ex-ministro José Dirceu. Na verdade, JD era uma sigla para Juscelino Dourado, ex-chefe de gabinete de Palocci. A Polícia Federal reconheceu o erro

Guarujá é aqui
Promotores do Ministério Público de São Paulo que pediram a prisão de Lula em março por suspeitas em relação ao tríplex em Guarujá (SP) reclamaram quando o caso foi transferido para o juiz Sergio Moro, da Justiça Federal no Paraná. Parte da investigação sobre a Bancoop e a OAS, no entanto, ainda permanece no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo

Delação de Léo Pinheiro
Em meio a crise entre juízes e promotores, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, anunciou o rompimento da negociação da delação de Léo Pinheiro, da OAS. O motivo seria o vazamento da informação de que o ministro do STF Dias Toffoli fora citado. A delação citaria Lula (PT), Dilma Rousseff (PT), Eduardo Cunha (PMDB), Renan Calheiros (PMDB) e Aécio Neves (PSDB)

Saúde de Bumlai
Após passar cinco meses em prisão domiciliar devido à sua saúde, o pecuarista José Carlos Bumlai voltou à prisão em setembro. Ele tratava um câncer na bexiga, além de passar por cirurgia cardíaca. A defesa havia pedido prorrogação da prisão domiciliar para melhor recuperação, mas o juiz Sergio Moro afirmou que a saúde de Bumlai está estabilizada