Folha de S.Paulo

Ano-Novo com Deus


Depois de escrever sobre as cervejas de Natal (na coluna da semana passada ), não podia deixar de mencionar as cervejas brut, agora que estamos tão perto do Réveillon. São aquelas cervejas feitas pelo método champenoise, o mesmo utilizado no champanhe.

E não dá para lembrar das brut sem falar de Deus, ou melhor, da Deus. A cerveja belga é, sem dúvida, a mais conhecida do gênero. A garrafa parece com a de um champanhe e é vedada com rolha. Também é uma das poucas cervejas em que o copo realmente faz diferença -o mais adequado é o flûte, a taça longa usada com espumantes.

Quando a conheci, em 2007, parecia o santo graal (também no preço: R$ 250). Não sabia na época que uma cerveja poderia custar tanto.

Naquele mesmo ano fui para a Bélgica e descobri que o rótulo não se encontrava em qualquer bar. Mas achei Deus em um mercadinho. O preço? Dez euros. Comprei logo duas garrafas e embalei com o maior cuidado para degusta-la apenas no Brasil. Deus é de fato uma cerveja para tomar em momentos especiais, para celebrar, como os bons champanhes; é interessante, peculiar, mas não chega a ser, digamos, divina.

O preço da Deus caiu bem nos últimos anos e chegou a custar cerca de R$ 150 em 2014 (750 ml). Porém, com aumento dos impostos e desvalorização da moeda, a cerveja voltou ao patamar de R$ 250 (novamente, o cálice está quase sagrado).

Hoje o mercado tem outras sugestões do gênero, como a também belga Malheur Brut e três brasileiras: a mineira Wäls Brut, a catarinense Lust, da Eisenbahn e a paranaense Double Vienna Brut, da
Morada Cia. Etílica.

PATINHO DO RIO
Premiada no último Mondial de la Biére, a carioca Jeffrey (cujo símbolo é um patinho engravatado) chega a SP nas versões witbier e red pilsen;
no Eataly (eataly.com.br )

DOUBLE VIENNA BRUT
Boa brut que é feita a partir da Double Vienna (outro rótulo da brasileira Morada); até por isso, parece mais cerveja do que espumante
TEOR ALCOÓLICO 11,5%
QUANTO R$ 62,50 (375 ml)
ONDE Cervejoteca; tel. (11) 5084-6047

CHAMPENOISE
Processo desenvolvido em Champanhe (França) para produção de espumantes, no qual a bebida passa por uma segunda fermentação dentro da própria garrafa