Folha de S.Paulo

Olho na arara azul


Realizado de 9 a 12 de março, o Festival Brasileiro da Cerveja, em Blumenau (Santa Catarina), premiou novamente as melhores cervejas e cervejarias do Brasil. São mais de cem categorias, 137 para ser exato. Sim, é mais que o Grammy, somando a parte não televisionada... e incluindo até o Grammy Latino.

Como o Grammy ou o Oscar, porém, sempre há o prêmio principal. No caso, o de melhor cervejaria do ano, conquistado pela segunda vez consecutiva pela gaúcha Tupiniquim, a cerveja da arara azul.

Apesar de jovem (nasceu em 2013), a cervejaria tem forte presença na região Sul e está cada vez mais em evidência em São Paulo.

Se não dá para dizer a fórmula do sucesso da Tupiniquim, é possível identificar algumas pistas, como os rótulos elegantes e os títulos curiosos e chamativos (aparência não é tudo, mas é um bom começo), além de suas vitórias em festivais, que lhe conferem status.

E por que a Tupiniquim se sai tão bem no mata-mata? Bem, a marca foi esperta em investir em várias parcerias com cervejarias já consagradas no Brasil e no exterior. Daí saíram colaborativas como a ótima Extra Fancy IPA, com a dinamarquesa Evil Twin; a Saison de Caju, elaborada com a norte-americana Stillwater Artisanal; ou a igualmente acima da média O Grande Encontro, uma quadrupel que nasceu da união com a norueguesa Nogne O e com a Colorado, de Ribeirão Preto -além da própria Tupiniquim.

No festival de Blumenau, a Tupiniquim foi lembrada em 20 categorias. O pódio das três melhores cervejarias teve também a gaúcha Heilige e a paranaense Bodebrown. Foi-se o tempo do chimarrão.

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LOST IN TRANSLATION
Mais um rótulo feito em parceria com a Evil Twin, essa india pale ale é marcante com amargor no final, como o filme
TEOR ALCOÓLICO 6,5%
QUANTO R$ 21 (310 ml)
ONDE Empório Frei Caneca; tel. (11) 3472-2082

TTMONJOLO FLORESTA NEGRA
Para o tempo de Páscoa, a dica é essa imperial porter com dose extra de cacau e um toque de framboesa
TEOR ALCOÓLICO 10%
QUANTO R$ 26 (310 ml)
ONDE Empório Sagarana; tel. (11) 3539-6560

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A OUTRA MELHOR
A melhor cerveja do festival, no entanto, não é da Tupiniquim. Venceu a Red Meth, da também gaúcha Maniba, de Novo Hamburgo: de estilo belga, levou oito meses para ficar pronta.

NÃO VAI TER GOLE
Tudo bem, o imposto é alto e o câmbio está desfavorável. Mesmo assim, não dá para cobrar R$ 40 numa Duvel long neck, valor praticado na ICI Brasserie, nos Jardins. Vou protestar

016 CONTRA DENGUE
Os moradores de Ribeirão Preto, e só eles, podem provar o novo chope da Cauim, batizado de Cauim 016 (número do código da cidade). A versão ficou mais aromatizada, com adição de lúpulos franceses, e um pouco menos alcoolizada (4,2%). Aproveitando a novidade, a Colorado também lança uma campanha contra a dengue chamada "orgulho de ser 016". A ideia é conscientizar a população da cidade, uma das mais afetadas pela doença. Confira detalhes no site da Colorado: www.cervejariacolorado.com.br.