Folha de S.Paulo

Olimpíada do Rio promete recorde de presepadas na televisão


O sábado (6) foi o primeiro dia de competição olímpico em sua plenitude no Rio (Neymar que nos perdoe). E bem antes da medalha no tiro esportivo já tinha uma grata surpresa: canais, muitos canais. Só no SporTV são 16 (disparado na liderança), além de três da ESPN, dois da Fox Sports, um na Bandsports e várias horas de TV aberta. Muito mais que em Londres-2012.

Tanta oferta causou até um estresse pela manhã. "Será que estou perdendo alguma coisa? Aqui no handebol vão falar do judô? Se eu mudar de canal algum brasileiro vai perder?". Eram questões pertinentes para o dono do controle remoto, o que os técnicos sábios de futebol chamam de "boa dor de cabeça".

Com esse espetáculo do crescimento televisivo, naturalmente, vamos presenciar também uma quebra do recorde mundial de presepadas de narradores e comentaristas ao vivo.

Aliás, a medalha de ouro da inconveniência veio logo cedo, e na TV aberta... e não foi para Galvão: Alex Escobar, na Globo, provou mais uma vez que pode ser um apresentador simpático, até um cara agradável para dividir uma pizza, mas narração não é a sua praia. Seu grau de afetação não era condizente com um jogo de estreia, teve até um desafinado "acaboooouuu", no fim. Valeu por 16 narradores da TV fechada. Não recomendável para as próximas rodadas.

Teve nas redes sociais quem pegou no pé da sempre simpática Fernanda Gentil, só porque ela trocou o nome de um narrador na hora de chamar a transmissão. Bobagem. Com tanta coisa ao mesmo tempo dá até para chamar Neymar de Marta que ninguém vai ligar (aliás, seria um elogio, a moça conhece o futebol solidário).

No futebol feminino, deu tempo para ver, e se divertir, com uma das melhores piadas dos brasileiros nos Jogos. Na partida entre Estados e França no futebol feminino, a todo momento em que a goleiro Hope Solo chutava a bola para frente, era ovacionada com um grito: "Ziiiiikkkkaaaaa" (a moça fez uma gracinha sobre o vírus antes de vir, vai pagar a conta até sair do país).

Comentário filosófico do dia: "Vejo uma homogeneidade na Holanda para manter essa hegemonia", do especialista de tiro com arco, no SporTV. Na minha primeira meia hora de vida diante da modalidade, consegui entender a pontuação e outras coisas. Mas não captei o sentido dessa frase ainda. Como era no Sambódromo, perdeu ponto na evolução.

Comentário "ops" do dia: "Essa gosta de um penteado exótico... ou não gosta de pentear", do narrador do SporTV, sobre o cabelo afro e solto de Renard, zagueira e capitã da França, contra os EUA no futebol feminino. Desliguei.