Folha de S.Paulo

Cervejaria gaúcha Tupiniquim é tri em festival brasileiro


Poucas surpresas no concurso do Festival Brasileiro da Cerveja, que ocorreu pela quinta vez em Blumenau e terminou no último sábado (11). Ninguém trocou o envelope e, pela terceira vez consecutiva, a cervejaria gaúcha Tupiniquim foi eleita a campeã do evento.

Completando o pódio, as paranaenses Bodebrown e Bier Hoff ficaram em segundo e terceiro lugar, respectivamente. Para a festa da região ficar completa, a cidade de Blumenau recebeu a chancela de capital nacional da cerveja durante o evento. Título que pode não representar muito dentro do festival, mas deve alavancar o turismo cervejeiro que começa a ganhar força por lá.

Sobre o evento, a grande novidade foi a ausência de estandes de cervejarias que pertencem a grandes grupos, como Eisenbahn, Colorado ou Wäls. Elas até puderam participar do concurso, e algumas foram premiadas (como a Baden Baden IPA Wood Aged ou a Colorado Guanabara Wood Aged), mas não puderam mostrar as caras para o público. Melhor para as micros e pequenas, que lotaram dois pavilhões no Parque Vila Germânica.

Olhando para o nosso quintal, as cervejarias de São Paulo conquistaram 41 medalhas nos 143 estilos julgados (sim, 143, mas não me peça para listá-los). O número ficou um pouco abaixo das 49 de 2016. Nesse quesito, os gaúchos lideraram com 58 medalhas, mas quem chamou a atenção foram os catarinenses, com 51 pódios, quase dobrando os 27 do ano passado.

CHEGA DE NÚMERO

Da campeã Tupiniquim foram premiados rótulos como a Monjolo Aged, envelhecida em barril de uísque, a Pecan Imperial Stout e a Bock, entre outras. Algumas cervejas ficaram só no festival mesmo, infelizmente. É o caso da ótima stout da catarinense Antídoto, com cereja e pimenta, ouro na categoria chili pepper (sim, existe uma categoria chamada chili pepper beer; não, ela não é uma homenagem ao Red Hot Chili Peppers... mas poderia). A cerveja ainda não tem a pretensão (ou intenção) de chegar às prateleiras, de acordo com a própria turma da jovem cervejaria. Feita com cerejas "in natura", ficaria muito cara para entrar em linha de produção. É a chamada "cerveja de festival".

No estande da paranaense Way Beer, um dos destaques era a sour com goiaba, da linha Sour Me Not. Lançada em março em sua cidade natal, essa, sim, deve chegar a São Paulo nos próximos meses.

Quem acompanha a coluna já deve ter lido sobre algumas das paulistas premiadas, como a Vó Maria e seu Lado Zen, rótulo da Avós que ficou com ouro como american pilsener, ou da Luxúria, da Mea Culpa, bronze entre as imperial stout.

As cervejas do festival ainda rendem bastante assunto para as próximas semanas, assim como as cervejarias (e o estilo) de Santa Catarina. Aguarde.