Folha de S.Paulo

Dois presos morrem e 48 fogem após serrarem grades de presídio no Pará


O governo do Pará confirmou nesta segunda-feira (12) a fuga de 48 presos do Complexo Penitenciário de Santa Izabel, no último domingo (11). Segundo a Diretoria de Administração Penitenciária, os presos estavam armados e receberam ajuda de fora do complexo. Dois deles morreram.

"Por volta das 5h, agentes prisionais de plantão perceberam uma movimentação suspeita nos pavilhões 4 e 5 do centro de detenção e acionaram a guarda do Batalhão de Policiamento Penitenciário. Diego Ferreira Mendes e Almir Souza da Silva morreram no confronto durante a tentativa de fuga", informou a Susipe (superintendência do sistema penitenciário do Estado, em nota.

A fuga aconteceu após os presos serrarem as barras das grades das celas. Eles alcançaram o solário do presídio e usaram uma corda artesanal para pularem o muro em direção à mata. Inicialmente, o governo tinha confirmado 29 fugitivos, corrigindo o número apenas nesta segunda. Nenhum foi preso ainda. Na varredura, a polícia encontrou cápsulas de dois tipos de pistolas.

A Susipe informou que abrirá uma sindicância investigativa para apurar a fuga e a entrada das armas no presídio. O banho de sol foi suspenso em três pavilhões, o 3A, 4C e 5D, como medida disciplinar. O Centro de Recuperação Penitenciário do Pará 1 (CRPP-1), ala em que estavam os presos que fugiram, abriga 1.059 detentos, mas a capacidade é para 739.

A superintendência pede para que aqueles que tiverem informações sobre os fugitivos entrem em contato para fazer uma denúncia anônima. "Quem tiver qualquer informação sobre os fugitivos pode fazer uma denúncia anônima pelo 181, ou pelo WhatsApp da Susipe no: (91) 98814-1218. O sigilo é garantido", disse.

Desde o início do mês, foram registradas outras duas fugas em massa em presídio ou centro socioeducativo do país. No dia 5, dois adolescentes morreram e outros 35 fugiram durante uma rebelião na unidade da Funase (Fundação de Atendimento Socioeducativo), em Abreu e Lima, região metropolitana do Recife.

Antes disso, outra rebelião, registrada na Paraíba, deixou sete adolescentes mortos, sendo que cinco deles foram queimados ainda vivos dentro de uma cela no Lar do Garoto, instituição que abriga jovens infratores. Outros 11 jovens fugiram.

O sistema penitenciário do país começou o ano de 2017 com uma crise sem precedentes.

Rebeliões em presídios, principalmente, das regiões Norte e Nordeste terminaram com centenas de mortos e colocaram em evidência o colapso do setor, que é superlotado e pouco eficiente na ressocialização do preso, segundo entidades e especialistas que estudam o tema.

A crise teve início em 1º de janeiro, com um motim no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus (AM), que terminou com 56 detentos mortos e 184 foragidos.

A matança registrada no presídio da capital do Amazonas foi a maior em número de vítimas em presídios do país desde o massacre do Carandiru, em 1992, em São Paulo, quando uma ação policial deixou 111 presos mortos na casa de detenção.

Depois foi a vez das unidades de Roraima, Rio Grande do Norte e Mato Grosso registrarem os massacres. Em todos os casos, as rebeliões partiram de ordens de facções criminosas, que disputam o controle do tráfico de drogas nas penitenciárias.