Folha de S.Paulo

Proteção a pedestres fica pela metade na estrada do M'Boi Mirim, em SP


A ação da gestão João Doria (PSDB) na estrada do M'Boi Mirim, zona sul de São Paulo, para melhorar a segurança de pedestres e os transportes coletivos e reduzir os acidentes cobriu menos da metade da extensão da via, que liderou os acidentes com mortes na cidade em 2016 –22 mortos no total.

O projeto M'Boi Mirim Segura, que envolve a Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes, a SPTrans (São Paulo Transporte) e a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), começou no dia 31 de julho. Entre as ações anunciadas estão o reforço na fiscalização do trânsito e na operação do transporte coletivo, além de melhorias da sinalização na região.

O "Agora" percorreu a via na manhã desta quinta (10) e verificou que as medidas foram implementadas em apenas seis dos 16 km de extensão da estrada do M'Boi Mirim. Neles há sinalização, banners e as faixas foram pintadas. A partir do Hospital Municipal Dr. Moysés Deutsch, nada foi feito. As faixas de travessia continuam apagadas ou mesmo ausentes, no restante da estrada.

A prefeitura também prometeu colocar mais 18 agentes da CET na região, totalizando 47 marronzinhos, distribuídos em três turnos de trabalho, e colocaria mais seis carros em operação, além dos oito já em uso. A reportagem, não localizou nenhum agente das 9h às 12h30 de quinta.

Outra medida anunciada pela gestão Doria foi o aumento do tempo de travessia dos pedestres de 10 para 12 segundos, também restrita à parte inicial da estrada.

Em dois semáforos de pedestres da metade final da estrada, cronometrados pela reportagem, o tempo em que o farol fica verde é de cinco segundos, seguido por 10 segundos de vermelho piscante e um minuto e 15 segundos de vermelho fixo. Os pedestres dizem que se confundem com a situação.

O funileiro Edinaldo Bezerra Torres, 59, mora na estrada do M'Boi Mirim, na altura 10.751, trabalha próximo de casa e precisa atravessar a avenida diversas vezes por dia. Ele cruza a via próximo à UBS (Unidade Básica de Saúde) Vila Calu, onde há uma faixa de pedestres que está pintada no solo pela metade. "Tenho muitos parentes e amigos que já foram atropelados."

O diretor de operações da CET, Milton Persoli, da gestão Doria, afirmou que, de acordo com cronograma do M'Boi Segura, o programa chegará a toda a extensão da via nas próximas semanas.

Sobre as diferenças nos tempos dos semáforos, Persoli corrigiu a informação divulgada pela Secretaria Municipal do Transportes de que o tempo é padronizado. "É definido no local por técnico, porque há diferenças em cada semáforo. O aumento do tempo de travessia nos já ajustados é de 20%."

A respeito da ausência de agentes da CET, o diretor afirmou que o horário coincidiu com o turno em que há menos marronzinhos no local. "No do horário da reportagem, das 9h40 em diante, há cinco agentes da CET no local, condizentes com o menor volume de tráfego", afirmou o diretor.

A CET, em nota, diz que neste semestre, a via ganhará nove radares, totalizando 12, integração das câmeras da CET com a GCM (Guarda Civil Metropolitana) e iluminação nas faixas de pedestres.