Folha de S.Paulo

Metrô fecha bicicletários na Vila Madalena e em Santa Cecília


O bicicletário da estação Santa Cecília do Metrô (região central de São Paulo), da linha 3-vermelha, vai fechar a partir desta sexta (15).

O anúncio da companhia, ligada à gestão Geraldo Alckmin (PSDB), foi feito por cartazes afixados e avisos por escrito entregues a ciclistas.

É o terceiro bicicletário alvo de desativação pela empresa. O da estação Vila Madalena (zona oeste), da linha 2-verde, fechou no dia 26 de agosto, quando foi substituído por um paraciclo –opção menos segura, por não haver funcionários controlando o uso.

Anteriormente, o do Paraíso, das linhas 1-azul e 2-verde, havia sido desativado. Em ambos, o Metrô culpou a baixa procura.

No caso da estação Santa Cecília, 15 das 18 vagas estavam ocupadas na manhã desta quarta (13). Segundo funcionários, essa é a média diária de uso do equipamento. Em alguns momentos, afirmam, chega a faltar vaga.

Morador de Francisco Morato (Grande SP), Edmílson Manoel dos Santos, 53, ficou revoltado com o fechamento. "Usava aqui todos os dias faz um ano, o serviço é ótimo, não há outro igual."

Santos deixa sua bicicleta no local durante a noite e pega no dia seguinte. Ele a usa para fazer carretos no comércio da região do Brás.

"Cheguei a deixá-la no bicicletário do Parque Dom Pedro, mas a segurança lá não é boa e o cadeado estava quebrado quando cheguei."

Uma das diferenças é que, além de ser fechado e ter segurança, o bicicletário da Santa Cecília registra o usuário que deixa a bicicleta lá.

Morador do bairro, o servidor Osmar Nunes Araújo, 45, usa diariamente o bicicletário. "Avisaram em cima da hora e não nos apontam nenhuma alternativa para deixarmos as bicicletas com a mesma segurança", diz.

Ele trabalha no Belém (zona leste) e deixa a bike no local quando vai ao trabalho. "A única opção aqui é o bicicletário do terminal Amaral Gurgel, da SPTrans, onde os furtos são comuns."

PARACICLOS

O Metrô afirmou em nota que "está substituindo bicicletários por paraciclos para adequar a utilização dos equipamentos em função da demanda de usuários do serviço, otimizando os custos de manutenção dos espaços –cerca de R$ 1,4 milhão em 2016."

Segundo a empresa, a estratégia adotada "segue experiências internacionais observadas nos maiores metrôs do mundo". A empresa não se manifestou sobre a preocupação dos usuários com a segurança.

Em nota, a SPTrans afirmou que o SPUrbanuss, sindicato que reúne as viações de ônibus da cidade, é responsável pela administração dos terminais municipais e que "buscará soluções para contribuir com o combate" aos furtos de bicicletas no Terminal Amaral Gurgel.

O sindicato disse que é responsável "pelos serviços de manutenção, limpeza e fiscalização das áreas de operação e que os bicicletários continuam com as mesmas regras". Afirmou ainda que os funcionários vão aprimorar as rondas.

NOVAS

Recém-inauguradas, as estações do metrô Alto da Boa Vista e Brooklin, da linha 5-lilás, já não contam com bicicletários. No lugar do equipamento, foram colocados paraciclos.

Além da capacidade deles ser menor, a opção preocupa os usuários porque a opção é menos segura, pois não há controle sobre quem deixa e quem retira as bicicletas desses equipamentos e, por isso, há o temor de furtos dentro das estações.

Os bicicletários são fechados e contam com um funcionário que anota os dados de quem deixa a bicicleta e os confere no momento em que ela é retirada.

Já os paraciclos oferecem apenas um espaço para que as bicicletas sejam colocadas. Em um cartaz nas estações da linha lilás, o Metrô afirma que não é responsável pela segurança dos objetos e sugere aos usuários que coloquem um cadeado nas bicicletas para evitar furtos.