Folha de S.Paulo

Mortes: Defendeu São Miguel Paulista durante 9 mandatos


Nascido em Guanambi (BA), Aurelino era paulistano de coração. Do bairro de São Miguel Paulista, para onde migrou na adolescência, viveu em defesa da zona leste.

Soldador em uma fábrica nitroquímica, fundou o sindicato da categoria e ingressou na política aos 34. A primeira eleição para a Câmara Municipal foi em 1956, pelo PSP (Partido Social Progressista). Foi um dos vereadores mais longevo da história paulistana: exerceu o cargo até 1992, por nove mandatos seguidos.

Espontâneo e eloquente, não seguia roteiros em seus discursos. Reunia em sua casa autoridades e representantes da comunidade.

"Quando falavam que o bairro era dormitório, se ofendia e rebatia dizendo que os nordestinos é que moviam a cidade", lembra o filho Aurélio.

Trouxe prontos-socorros, cemitérios, subdelegacias e as primeiras linhas de ônibus para o bairro. Atuou em prol dos moradores de rua e pela criação da administração regional de São Miguel Paulista.

Leitor voraz, tinha uma coleção de 5.800 livros. Quarenta títulos eram autografados por Chico Xavier -além de espírita, era maçom. Gostava de caminhar pelas ruas do bairro e presentear amigos com livros todo mês de janeiro.

Depois de aposentado da vida pública, associou-se ao filho na construção de casas populares -parou só recentemente, devido à saúde.

Morreu no último dia 23, aos 94 anos, de infecção pulmonar. Deixa filho, três netos e quatro bisnetos.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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Diferentemente do informado, Aurelino de Andrade, vereador por nove mandatos em São Paulo, não foi o mais longevo da história: este, na verdade, foi Brasil Vita, que cumpriu dez mandatos. O texto também afirmou incorretamente que a Câmara Municipal de São Paulo decidiu rebatizar a avenida Marechal Tito, em São Miguel Paulista, com o nome de Andrade. A casa não discutiu projeto de lei com esse teor.