Folha de S.Paulo

Vigia de creche agendou crime para aniversário de 3 anos da morte de pai


Investigações iniciais da polícia indicam que a tragédia desta quinta-feira (5) no interior de Minas foi premeditada pelo vigia da creche. Ele colocou fogo no local, em Janaúba (554 km de Belo Horizonte), e ao menos sete crianças morreram.

Segundo a polícia, na residência de Damião Soares dos Santos, 50, que também morreu queimado, foram encontrados galões com combustível. Além disso, segundo a apuração, o segurança da creche marcou simbolicamente a data do crime, a mesma da morte de seu pai, há três anos.

Dois dias antes do crime, Damião também afirmou a familiares que daria um "presente" a todos e que se mataria em seguida. As investigações da polícia de MG também apontaram que ele tinha problemas mentais e era obcecado por crianças.

O Centro Municipal de Educação Infantil Gente Inocente pertence à prefeitura e fica no bairro Rio Novo. Damião trabalhava na condição de funcionário efetivo da creche desde 2008. De acordo com testemunhas, ele teria ateado fogo ao próprio corpo e ido em direção às crianças durante o ataque.

Em entrevista ao UOL, o prefeito de Janaúba, Carlos Isaildon Mendes (PSDB), afirmou que o segurança retornaria de férias nesta quinta à creche, que funciona em período integral. A instituição tinha capacidade para 82 crianças e estava cheia na manhã desta quinta. "Ele tinha acabado de chegar de férias e entrou na escola dizendo que ia entregar um atestado médico, alegando que não passava bem. Mas estava com um balde, e, em um gesto completamente insuspeito, jogou o que seria álcool, que estava nesse balde, no próprio corpo, e no corpo das crianças", afirmou.

Indagado sobre as condições mentais do funcionário, Mendes negou que ele tivesse apresentado algum indício de problemas. "O que me relataram lá é que ele chegou normal e tranquilamente até a diretora para supostamente entregar um atestado médico. Estamos mesmo muito surpresos com o que aconteceu", disse.

Por outro lado, o prefeito disse que o ataque "poderia ter sido pior", já que a sala em que o segurança entrou com o material inflamável era a do segundo período, com crianças de até cinco anos de idade. "Infelizmente, poderia ter sido algo até pior, porque a sala ao lado era o berçário, e evacuar crianças dali seria muito mais difícil. Onde ele atacou as vítimas são maiorzinhas e muitas conseguiram escapar", afirmou.

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