Folha de S.Paulo

Mortes: Trabalhou meio século em tradicional escola paulistana


Com 106 anos de existência, o Dante Alighieri é conhecido em São Paulo por ser um colégio intergeracional. Durante décadas, no dia de inscrever os filhos, uma pergunta se somava às de praxe: "A Munira ainda está por aí?"

Até esta quarta (4), a resposta foi positiva. Funcionária durante 51 anos, Munira Salomão foi responsável por implantar o serviço de orientação educacional na escola.

"Antes dela, não havia a ideia de acompanhar cada aluno individualmente e desenvolver o seu relacionamento com grupo, professores e sociedade", diz Silvana Leporace, diretora pedagógica do estabelecimento.

De ascendência síria, sétima de nove irmãos, Munira tinha vocação comunitária: também era diretora do asilo Mão Branca e conselheira do hospital Sírio-Libanês.

Foi uma das primeiras professoras de educação sexual no país, nos anos 60. Outros tempos: era quase um curso de fisiologia e só participava quem tivesse sido autorizado pelos pais.

Era uma mulher de raízes, mas com gosto pela aventura. Viajante obstinada, atravessou Rússia e China pela rota transiberiana quando se aproximava dos 70 anos.

Os alunos não foram as únicas crianças e adolescentes dos quais se ocupou. "Dirigia uma Kombi e levava os sobrinhos para passear em Campos do Jordão ou Águas da Prata", diz Vera, parte da turma.

Exigente mas querida, foi nome até de time de torneio interclasses. Nesta quinta (5), em sua homenagem, meninas desfilavam pelo Dante com a camisa do Muniretes.

Tinha 79 anos e morreu de complicações pós-operatórias. Deixa irmãos e sobrinhos.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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