Folha de S.Paulo

Mortes: Fuba de Taperoá tocou com Dominguinhos e Gonzagão


A trinca era fechada: Dominguinhos na sanfona, Fuba no pandeiro e Dió na zabumba. Foi por acaso que o último descobriu ser o único ainda vivo, enquanto ouvia forró no rádio. "Já eram mais de duas da tarde e o locutor anunciou que o enterro de Fuba tinha sido às nove", lamenta.

Juberlino Martins Levino, de Taperoá (PB), não gostava de explicar o apelido –fazia lembrar dos tempos de fome, quando passava dias à base de "fuba", milho sovado.

Criança, encantava-se pelas marchinhas compostas pela mãe. Aos 17, aprendeu a tocar zabumba com um primo, músico de certa reputação no cariri paraibano. Um ano depois, foi para o Rio atrás de oportunidades –qualquer uma. Fez a viagem de carona numa carga de sal.

Mudou-se logo para SP, onde tinha mais serviço. Pedreiro, trabalhou na construção da rodovia Castelo Branco.

Na capital paulista, preservava o dom no salão de Pedro Sertanejo, histórica casa de forró no Belenzinho. Ouvindo o suingue de Jackson do Pandeiro na vitrola, se iniciou no instrumento que o consagrou.

Certo dia no bar, Dominguinhos disse precisar de alguém no triângulo para um show. Não era a de Fuba, mas ele sempre estava à mão: assim começou a parceria de décadas. Também tocou com Luiz Gonzaga –"Como tá o bolso?", sondava o Rei do Baião quando precisava de músicos.

Foram seis discos autorais –pagou a gravação do primeiro reformando a casa do seu produtor. Diabético, recolheu-se nos últimos tempos. "Amuou depois que Dominguinhos morreu [em 2013]", diz Dió.

Morreu de falência de múltiplos órgãos no último dia 17, aos 75 anos. Deixa filha e neto.

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coluna.obituario@grupofolha.com.br

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