Folha de S.Paulo

Mortes: Médico gaúcho investigou tudo que o cercava


Depois das primeiras aulas naquele ano de 1969, os calouros de medicina da Universidade Federal de Pelotas começaram a disputar os lugares próximos ao do cabeludo que desconcertava os professores com perguntas incomuns.

"Os caras tinham um roteiro de aula e a gente queria entender o que o Figueiró vislumbrava além daquilo", diz o colega Sergio Rossato.

A inquietude intelectual marcou João Augusto Figueiró. Formado, fez a residência em endocrinologia –a especialidade, porém, não satisfazia seu propósito: entender o funcionamento da mente.

Em São Paulo, especializou-se psiquiatra e, depois, migrou para a psicanálise. Até tempos atrás, sua atuação mais destacada era no campo da dor.

De vocação interdisciplinar, há cerca de dez anos o médico descobriu uma nova obsessão lendo artigos de economia: a primeira infância.

Fundou o Instituto Zero a Seis, voltado ao desenvolvimento humano do nascimento até o sexto ano. Através dele, foi parceiro de autoridades nacionais e internacionais.

Foi diagnosticado com câncer abdominal há um ano, quando passou a estudar métodos de cura da doença.

Quando o processo se tornou irreversível, desenvolveu interesse pela filosofia oriental e começou a preparar sua passagem. Não quis fazer tratamentos penosos e proibiu a família de organizar velório quando chegasse a hora.

Preparou uma festa de despedida para este sábado (11), mas não poderá participar. Mesmo assim, pediu que não a cancelassem.

Morreu no dia 3, aos 66 anos. Deixa a mulher Rosana, quatro filhos e seis netos.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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