Folha de S.Paulo

Aluno branco que usava cota para negros na UFMG vai desistir de curso


Um dos estudantes brancos que se autodeclararam negros para ingressar no curso de medicina da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), Vinicius Loures, 23, afirmou que vai encerrar sua matrícula e estudar para passar no vestibular sem a ajuda das cotas.

No domingo (24), a Folha revelou que dezenas de pessoas ingressaram no curso, que é um dos melhores do país, de forma fraudulenta.

Quando o candidato se declara negro, pardo ou índio no sistema da UFMG, concorre a uma vaga dentro do subgrupo em que se colocou [são quatro variações na universidade, todas com exigência de ter estudado em escola pública]. As notas de corte para cotistas chegam a ter 28 pontos a menos no Enem do que na ampla concorrência.

O caso apontado como o mais significativo é de Loures, que tem pele, olhos e cabelos muito claros. Ao jornal mineiro "O Tempo", o jovem reconheceu o erro e afirmou que não pensou no momento da inscrição. "Vou me "desmatricular" já, estudar e tentar passar de novo, sem fraudar o sistema, que é legítimo. Apesar de ter feito isso, eu não concordo com fraudes nas cotas, nem acho que as cotas não sejam importantes", afirmou.

VAGAS PARA MEDICINA EM 2017* -

Vagas reservadas - Por modalidade

Nota mínima - Dos ingressantes em 2017

Loures afirmou ainda que vai torcer para que sua vaga "vá para uma pessoa negra" e para que as denúncias sejam um marco na história da UFMG, que, segundo ele, é formada majoritariamente por alunos brancos. "Tomara que mude o sistema, não seja só autodeclaração, que vai para o lado ético", disse.

A universidade informou que vai aperfeiçoar o sistema de cotas e investiga denúncias que foram oficializadas para que estudantes como Loures tenham suas matrículas encerradas. Procurado pela Folha, Loures não quis se manifestar.

Federal de Minas Gerais reserva 50% de suas vagas de medicina para cotistas

Seleção
O estudante entra na universidade pela nota do Enem, por meio do Sisu (Sistema de Seleção Unificada)

Sistema de cotas
A porcentagem de vagas reservadas para cotistas depende do curso; na medicina, é de 50%

O curso de medicina
1.958 alunos na graduação
3º melhor do país, segundo o o RUF**

Raio-X da universidade
Fundação: 7.set.1927 (90 anos)
Posição no RUF**: 4ª melhor do país

Alunos
33.242 na graduação
14.013 na pós-graduação

Ensino
77 cursos de graduação
80 programas de pós-graduação
750 núcleos de pesquisa

*Considera os dois semestres
**Ranking Universitário Folha