Folha de S.Paulo

Crescimento do interesse por futebol americano no Brasil atrai NFL


O esporte do marido da Gisele Bündchen. Talvez seja assim que o futebol americano seja conhecido pela maioria dos brasileiros (a maioria que conhece a Gisele, claro). Tackle, fumble, kicker, red zone. Os termos da liga de futebol americano ainda podem parecer um mistério. E a decisão da NFL, chamada de Super Bowl, não deve ser discutida nas padarias, táxis ou elevadores neste domingo (5) por aqui. No entanto, gradativamente, o esporte ganha adeptos ano a ano no Brasil.

Claro que o futebol americano ainda é restrito a quem pode investir na TV fechada. O esporte é exibido por aqui nos canais da ESPN e no Esporte Interativo. Nas redes sociais, temas relacionados às partidas aparecem com frequência entre os mais comentados no Twitter, não só no mundial como no do Brasil.

Segundo a ESPN, que transmite o evento, a audiência do futebol americano entre 2013 e 2016 cresceu 800%.

A transmissão do Super Bowl em 2016 teve 62% dos televisores ligados em canais de esporte na TV por assinatura no horário do evento, segundo dados do Ibope, divulgados pela ESPN.

O interesse de brasileiros é tanto que a NFL estuda incluir o país em seu plano de expansão no exterior -algo que acontece também na NBA. A liga já faz alguns jogos por temporada em Londres, capital inglesa, e neste ano voltou a organizar um jogo na Cidade do México. A partida entre Oakland Raiders e Houston Texans teve os ingressos esgotados em poucas horas.

Depois da decisão da temporada 2014-2015, o dono da franquia do New England Patriots (time de Tom Brady, marido de Gisele, que está na final novamente) disse que adoraria mandar um jogo da temporada no Brasil.

Dirigentes da liga chegaram até a visitar o Maracanã, no Rio, para analisar o estádio. A primeira especulação era de que o jogo do Pro Bowl (espécie de jogo das estrelas) poderia ser disputado por aqui. A partida é quase um calcanhar de Aquiles da famosa liga por não despertar muito o interesse dos próprios americanos.

O motivo é que o jogo disputado uma semana antes do Super Bowl, não vale nada e não conta com os principais astros, que estão na final (preservados para a decisão). Num país novo, porém, pode ser uma atração desejada.

E, desde o ano passado, o brasileiro tem um atrativo extra para ver os jogos: torcer para o compatriota Cairo Santos, que atua como kicker (jogador que usa os pés para garantir pontos) do Kansas City Chiefs. Ele é o primeiro atleta do Brasil a ser titular de um time da liga.

Neste domingo (5), bares e até cinemas devem lotar para o jogo entre New England Patriots e Atlanta Falcons. O Super Bowl já é exibido na tela grande há alguns anos com sucesso e salas lotadas. O Espaço Itaú de Cinema Pompeia, em São Paulo, ampliou o evento de uma para três salas neste ano -duas delas já estavam lotadas até a conclusão deste texto.

Em tempo: tackle é quando um jogador derruba o outro que está com a bola; fumble é quando o jogador perde a bola para o time adversário, kicker é o cara que converte pontos com chutes e red zone é a área das últimas 20 jardas, nas quais costumam acontecer as jogadas mais decisivas no futebol americano. E Tom Brady continua casado com Gisele.

End zone
Área de 10 jardas em cada extremidade do campo onde são marcados os pontos

Touchdown
Acontece quando o jogador entra na end zone adversária com a bola. Vale seis pontos

Field goal
Quando o atleta chuta a bola entre as traves em formato de "Y". Vale três pontos

Extra point
Após o touchdown, o time pode chutar um field goal extra valendo um ponto

Conversão de 2 pontos
Depois de um touchdown, a equipe pode tentar marcar outro valendo dois pontos

Safety
Quando jogador derruba um rival com a bola dentro de sua end zone. Vale 2 pontos

SUPER BOWL 51
New England Patriots x Atlanta Falcons

Onde: NRG Stadium, em Houston (EUA)

Quando: domingo (5), às 21h (de Brasília)

Transmissão: ESPN e Esporte Interativo