Folha de S.Paulo

Rio-2016 tem menos recordes quebrados do que Londres-2012


Quase metade dos campeões olímpicos de três das mais tradicionais modalidades dos Jogos subiram ao lugar mais alto do pódio no Rio de Janeiro com marcas melhores do que as registradas em Londres, em 2012.

O número de recordes quebrados, porém, foi menor do que há quatro anos.

Levantamento feito pela Folha nos resultados de atletismo, natação e levantamento de peso aponta que 48% dos ouros do Rio foram para atletas que tiveram performance superior à de 2012.

Foram consideradas as marcas vencedoras de 92 provas dos três esportes. Ficaram fora da conta a maratona aquática e a maratona, provas em que o resultado sofre mais influência a cada competição de acordo com condições do mar, do percurso ou do clima.

Proporcionalmente, a natação foi o esporte que teve menor evolução nos resultados. Dos 32 ouros disputados, 19 (59%) saíram com tempo maior do que em Londres. Das provas que melhoraram, os 100 m peito masculino registraram a maior evolução, com tempo 1s33 inferior.

Foi vencida pelo britânico Adam Peaty, que quebrou o recorde mundial duas vezes, nas eliminatórias e na final.

No atletismo, 24 dos 45 ouros (53%) saíram para marcas melhores. A maior evolução proporcional foi no lançamento do dardo, vencido pelo alemão Thomas Rohler ao atingir 90,3 m –5,72 m acima do resultado de Londres.

No levantamento de peso, sete dos 15 ouros disputados foram para atletas que ergueram maior carga total em relação à Olimpíada anterior, e dois conquistaram a medalha com marcas idênticas.

TEMPO DE PROVA - Diferença dos ouros na Rio-2016 em relação aos de Londres-2012, em %

MARCAS DE PROVA - Diferença dos ouros na Rio-2016 em relação aos de Londres-2012, em %

Os Jogos do Rio ficaram para trás em comparação a Londres-2012 em número de recordes mundiais quebrados durante o evento. Londres teve 41 recordes batidos. No Rio, foram 29 –30% a menos.

O levantamento, com base em dados do COI (Comitê Olímpico Internacional), inclui os recordes quebrado mais de uma vez na mesma edição, até por um mesmo atleta.

Diversos fatores explicam a mudança de resultados frente a Londres. Desde o próprio clima na cidade (vento, chuva e calor), mudanças de regras que dificultam o desempenho até a ausência de alguns atletas de ponta.

O número de recordes ficou menor em modalidades como natação (de nove em Londres-2012 para oito na Rio-2016), ciclismo de pista (de nove para sete), tiro com arco (dois para um) e remo (dois para nenhum), por exemplo.

No tiro esportivo, dois recordes foram quebrados em Londres, ambos na fase de qualificação: pelo russo Alexei Klimov na pistola rápida e pela italiana Jessica Rossi na fossa olímpica.

Nos Jogos do Rio, porém, a modalidade passou em branco, sem nenhum recorde mundial quebrado. Dois fatores estariam por trás disso: a mudança de regras na modalidade e questões climáticas.

"A prova de tiro de 50 metros teve uma placar baixíssimo, um dos menores do ano. Ventou bastante e isso atrapalha a pontaria", disse Durval Balen, presidente da ABTE (Associação Brasileira de Tiro Esportivo).

O mesmo acontece com o atletismo, que teve seis novos recordes mundiais estabelecidos durante a Olimpíada de Londres e apenas três na Rio-2016. O vento e o calor são fatores que podem influenciar resultados.

Se a tecnologia tem permitido empurrar os limites humanos em força, velocidade e precisão, as regras são mexidas para tornar as competições mais acirrada e os recordes, mais difíceis.

A ISSF (Federação Internacional de Tiro Esportivo) fez pequenos ajustes em uma série de categorias para que o tiro perfeito seja uma meta cada vez mais difícil de alcançar.

"Em Londres, o atleta da fossa olímpica sabiam de quais das três máquinas seriam arremessados os pratos que precisavam atirar. No Rio, não sabiam. E isso faz muita diferença para ter um recorde", disse Balen.