Folha de S.Paulo

Eriberto Leão interpreta Jim Morrison em musical sobre o líder do The Doors


É deitado sobre um piano que simula a lápide de Jim Morrison (1943-1971) que Eriberto Leão dá início ao musical "Jim", que chega neste fim de semana ao Teatro Vivo, em São Paulo, após estrear em 2013 no Rio de Janeiro e passar por 13 cidades.

Na peça escrita por Walter Daguerre e dirigida por Paulo de Moraes, o líder da banda The Doors e ícone da contracultura nos anos 1960 aparece por meio dos devaneios de um fã obcecado que acredita ser a reencarnação do ídolo.

Em frente ao túmulo do cantor e com arma em punho, ele "dialoga" com Morrison e questiona os ideais pregados em suas músicas –enquanto se prepara para o suicídio.

"Muitas pessoas veem o Morrison de uma forma mais lunar, e ele é, mas também é solar", diz Leão, que quis mostrar neste espetáculo a loucura e a poesia do artista.

O ator conta que descobriu o Doors aos 18 anos quando viu o trailer do filme que Val Kilmer estrelou sobre o grupo (1991). Foi atrás das canções e, na estreia, assistiu a duas sessões seguidas do longa. Desde então, afirma ele, quis contar sua visão dessa história no palco.

"Poder levar a mensagem da contracultura ao público é muito importante e interessante porque é por meio dela que a gente pode ter uma opinião realmente questionadora da nossa realidade. E a peça é muito atual com tudo o que está acontecendo na nossa sociedade."

O repertório da montagem, que ganhou o prêmio APTR (Associação dos Produtores de Teatro do Rio) nas categorias melhor iluminação e melhor música, traz 11 canções interpretadas por Leão ao lado de Antonio Van Ahn (teclado), Felipe Barão (guitarra) e Rorato (bateria).

A atriz Renata Guida surge em cena lá pelo meio do espetáculo representando ao mesmo tempo a mulher de Morrison e a mulher do fã. É ela quem tenta mudar os pensamentos sombrios que rondam o rapaz, enquanto ele chora, esbraveja, filosofa sobre os problemas do mundo e flerta com a morte.

O Nobel concedido a Bob Dylan no último dia 13 foi festejado por Leão. "Para mim, claramente não é um prêmio só para o Dylan, mas é o Dylan representando a contracultura. Quem ganha é Allen Ginsberg, Jack Kerouac, é o Doors, é o Jim Morrison."

Segundo o ator, entrar em cartaz neste momento em um local tão importante culturalmente como São Paulo é muito instigante. E usa uma frase de Victor Hugo para resumir o sentimento: "Nada é tão forte quanto uma ideia quando é chegada a hora dela".

Realizada pelo projeto Vivo EnCena, a peça terá ingresso a R$ 20 neste primeiro fim de semana. Depois, o valor passa para R$ 40 e R$ 80.

JIM
QUANDO qui., às 21h30; sáb., às 21h; dom., às 18h
ONDE Teatro Vivo, r. Dr. Chucri Zaidan, 2.460, tel. (11) 3279-1520
QUANTO R$ 40 a R$ 80 (dias 29 e 30: R$ 20)
CLASSIFICAÇÃO 16 anos