[an error occurred while processing this directive] Canções de Portugal e da Itália são as favoritas da final do Eurovision - 13/05/2017 - Ilustrada - Folha de S.Paulo

Folha de S.Paulo

Canções de Portugal e da Itália são as favoritas da final do Eurovision


"Se um dia alguém perguntar por mim/Diz que vivi para te amar/Antes de ti, só existi/Cansado e sem nada para dar". Esses versos românticos são da canção "Amar Pelos Dois", com arranjo jazzístico de cordas e piano, do cantor português Salvador Sobral, 27 anos.

Ela é uma das favoritas da final do Eurovision, o concurso europeu da canção, que acontece na noite deste sábado (13) em Kiev, capital da Ucrânia. O jeito tímido e um tanto desengonçado do cantor, sua bela voz e seu estilo "vagabond-chic" conquistaram o público

Seu principal concorrente, segundo as bolsas de apostas, é o italiano Francesco Gabbani, com sua voz rouca e bigode de "latin lover". Ele canta, em italiano, "Occidentali's Karma", ao lado de um dançarino vestido de gorila. A coreografia simples, o carisma do artista e o pop grudento garantiram a preferência do rapaz de 34 anos de Carrara (Toscana).

O Eurovision já revelou artistas como a cantora austríaca Conchita Wurst e a banda sueca ABBA.

A canção vencedora é escolhida pelos telespectadores, que votam pelo telefone. As dez mais votadas por cada país recebem, em ordem ascendente de preferência, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 10 e 12 pontos. As pessoas não podem votar na música do país onde vivem. Das 42 concorrentes, 26 chegaram à final.

Portugal nunca venceu o Eurovision, concurso criado em 1956 em plena Guerra Fria, para fomentar a unidade da Europa. A primeira edição aconteceu em Lugano, na Suíça.

O cantor português é o único participante desta 62° edição do concurso a cantar inteiramente em sua língua natal e já se tornou um verdadeiro fenômeno. É a primeira vez em 7 anos que Portugal chega à final. Sua apresentação na semifinal é a mais vista no YouTube, com cerca de 820 mil visualizações.

Ele revelou recentemente que sofre de uma grave doença cardíaca, que exige que ele realize um transplante de coração. O cantor, que não gosta de falar do problema, disse que o palco é o seu refúgio para esquecer a doença. Por causa dela foi obrigado a deixar de fumar e vive com dores permanentes.

Salvador chamou a atenção pela primeira vez na coletiva de imprensa, quando chegou vestindo uma camiseta "SOS Refugees" (SOS Refugiados). Ele aproveitou para compartilhar o seu engajamento pela causa: "As pessoas não são migrantes, são refugiados".

Mas ele também conquistou a internet com seu humor. Cada vez que era focalizado pela câmera, na noite da semifinal do Eurovision, ele fazia divertidas caretas ao lado da sua irmã, Luísa Sobral, que é a autora da canção.

O lisboeta Sobral revelou, em entrevistas, que seu contato com a música começou na infância, quando gostava de cantar nas viagens de carro da família. Aos 10 anos, ele participou no concurso musical "Bravo, Bravíssimo", do canal português SIC.

Em 2009, ele participou da terceira edição do programa "Ídolos", da qual foi finalista. Depois, ele começou a estudar psicologia e passou um ano em Mallorca, na Espanha, como parte do programa universitário Erasmus. Lá ele começou a cantar em bares. De volta à Lisboa, ele decidiu abandonar a universidade e se mudar para Barcelona.

Na capital catalã, estudou na na prestigiosa escola Taller de Músics e, no início de 2014, colaborou com a banda de pop-indie Noko Woi, formada por venezuelanos radicados em Barcelona, com a qual se apresentou no famoso festival Sónar. Em 2015 foi incluído na programação dos eventos Vodafone Mexefest e EDP Cool Jazz.

Em março de 2016, lançou seu disco de estreia, "Excuse Me", com coprodução musical do pianista Júlio Resende, do venezuelano Leonardo Aldrey e do próprio Salvador Sobral, que é fã de Chet Baker. Em 2017, ele foi o vencedor do Festival RTP da Canção 2017, que garantiu a sua vaga no Eurovision.