Folha de S.Paulo

Conselheiro do Carf tem R$ 300 mil apreendidos na Operação Zelotes


Numa das primeiras diligências da Operação Zelotes, a Polícia Federal apreendeu cerca de R$ 300 mil na casa de Paulo Roberto Cortez, um dos conselheiros do Carf suspeitos de fraudar decisões do órgão em troca de propina, segundo a Folha apurou.

Cortez e seu sócio numa consultoria, Nelson Mallmann, foram grampeados pela PF com autorização judicial. Segundo o relatório da investigação, na conversa Cortez diz que recebeu do conselheiro Valmir Sandri, recado para "parar com esse 'troço' de ficar falando e fazendo denúncia".

Segundo eles, a pressão veio do ex-presidente do órgão e ex-secretário da Receita Federal Otacílio Dantas Cartaxo.

Em outra gravação, os interlocutores afirmam que Cartaxo estaria prestes a deixar a presidência do Carf e a passar a trabalhar com escritórios de outros consultores e lobistas. Mallmann então afirma que isso apenas iria "oficializar o esquema".

Apesar das críticas de Cortez ao suposto esquema de propinas, a PF diz no relatório que ele também integra a "associação criminosa".

O dinheiro apreendido na casa de Cortez é um dos principais indícios coletados pelos investigadores de sua participação no esquema.

A Folha ligou para telefones em nome de Cortez, mas não conseguiu localizá-lo.

EX-PRESIDENTE

Os investigadores da Zelotes não têm provas de participação direta de Cartaxo nas fraudes do Carf, mas o relatório em poder da Justiça Federal inclui, além de menções em gravações telefônicas, três suspeitos muito próximos do ex-presidente do conselho.

Além de Valmar Fonseca de Menezes, outro auxiliar direto de Cartaxo, Lutero Fernandes do Nascimento, foi indiciado sob suspeita de participar de esquema para livrar de multa o Banco Safra, que não se manifesta sobre o assunto.

Quando deflagrou a operação, no dia 26 de março, a PF cumpriu mandado de busca na residência do advogado Leonardo Manzan, genro de Cartaxo. Foram apreendidos R$ 800 mil de um cofre.

Manzan também foi conselheiro do Carf e é um dos indiciados pelo crime de advocacia administrativa em dois casos julgado no conselho.

Em um dos casos, segundo o relatório da operação, Manzan pediu propina de R$ 300 mil. A Folha ligou para telefones em seu nome, mas não conseguiu contatá-lo.