Folha de S.Paulo

Caminhoneiros fazem protestos e bloqueiam rodovias no Brasil


Os caminhoneiros realizaram nesta segunda-feira (9) protestos em rodovias de ao menos 14 Estados, após não entrarem em acordo com o governo federal em relação às suas reivindicações.

Boletim da Polícia Rodoviária Federal (PRF), com informações das 18h (de Brasília), informava a ocorrência de manifestações em 11 Estados: Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Tocantins. Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte também registraram protestos ao longo do dia. Em São Paulo, caminhoneiros se manifestaram na rodovia Raposo Tavares e na capital.

Os protestos começaram de forma isolada neste domingo (8), sobretudo em cidades do Rio Grande do Sul. A manifestação, contudo, só tomou corpo na manhã desta segunda.

O primeiro dia de protestos em nível nacional de caminhoneiros começou com mais fôlego do que a última greve da categoria, em abril.

Segundo a PRF, havia, nesta segunda às 18h, 24 pontos de interdição em estradas federais pelo Brasil, sendo 22 delas com bloqueio parcial –onde passam carros particulares, ônibus e ambulâncias– e quatro com interdição total das pistas. Ao todo, havia obstrução de rodovias em oito Estados no horário.

No primeiro dia de protestos da última paralisação (23/04), também às 18h, a PRF registrou 17 interdições nas rodovias do país. Eram 16 bloqueios parciais, no Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso, e uma interdição total no município de Tabuleiro do Norte, no Ceará.

As paralisações atingiram o pico nas rodovias federais às 16h desta segunda, com 28 pontos de interdição –23 parciais e cinco totais: em Petrolina (PE), Barreiras (BA), Mossoró (RN), Ibaiti (PR) e Dom Pedrito (RS). Havia bloqueio em estradas federais de nove Estados.

Em fevereiro, porém, na maior série de paralisações da categoria no ano, os caminhoneiros conseguiram atingir 124 pontos de interdição em estradas federais de nove Estados do país, às 15h do dia 25/02 (terceiro dia de protestos). No boletim divulgado pela PRF na ocasião, o órgão não informou se os bloqueios eram parciais ou totais.

À época havia também paralisação em rodovias federais de capitais de Estados, como Cuiabá e Campo Grande, situação não registrada nos protestos de hoje.

Já na paralisação de abril, o pico de manifestações foi registrado no segundo dia de greve, 24/04. Às 18h, havia 19 pontos de interdição em rodovias federais do Brasil. 17 bloqueios parciais no Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso, e dois bloqueios totais no Ceará e Goiás. No auge da paralisação, a PRF não registrou interdições de caminhoneiros em capitais.

Os balanços divulgados pela PRF nesta segunda também incluem informações de concentração de caminhoneiros em rodovias, mesmo sem nenhuma interdição. Isso não ocorreu nos boletins divulgados em abril e fevereiro. Por isso, não aparecem neste comparativo Estados como Espírito Santo e Mato Grosso do Sul, que não registraram interdições nesta segunda-feira.

O Planalto alega que atendeu a maior parte das reivindicações da categoria que, em abril, fez sua última paralisação do ano. O grupo de caminhoneiros que convocou a greve - liderados pelo Comando Nacional do Transporte que se declara independente de sindicatos —continua com uma série de reivindicações.

Os manifestantes pedem a redução do preço do óleo diesel, a criação do frete mínimo (este o governo reconhece que não conseguiu atender), salário unificado em todo o país e a liberação de crédito com juros subsidiados no valor de R$ 50 mil para transportadores autônomos. O grupo também quer ajuda federal para refinanciamento de dívidas de compra de seus veículos.

De acordo com Janir Botega, presidente do Sindicato de Caminhoneiros no Oeste do Paraná, ainda não é possível ver os efeitos da paralisação dos grupos contrários ao governo porque muitos caminhoneiros não saíram de casa neste fim de semana com medo de ataques nos bloqueios.

Segundo ele, boa parte está esperando as notícias deste primeiro dia de greve para saber se voltam a trabalhar nesta terça-feira (10). "O governo está sendo avisado que a categoria não está mais suportando, mas parece que não nos escuta", afirmou Botega.

A rodovia Raposo Tavares teve manifestações em três pontos. No km 384, próximo a cidade de Ourinhos, caminhoneiros fecharam parcialmente os dois sentidos da rodovia. Apenas carros de passeio, motos, ônibus e caminhões com produtos perecíveis podiam circular. De acordo com a polícia, as pistas foram liberadas por volta das 15h30 (horário de Brasília).

No km 620, no município de Presidente Venceslau, caminhoneiros ocuparam o acostamento até às 18h:10. Segundo a polícia, os manifestantes não bloquearam a via e carros de passeio e ônibus circularam normalmente. Também na Raposo Tavares, no km 384, em Salto Grande, caminhoneiros ocuparam a via até às 15h20, segundo a polícia.

A manifestação também ocorreu nas vias da cidade de São Paulo.

Entre as 11h e as 14h (de Brasília), os manifestantes bloquearam a marginal Tietê, iniciando o movimento próximo a ponte da Casa Verde e indo até a ponte dos Remédios, sentido rodovia Ayrton Senna.

De acordo com a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), os caminhoneiros chegaram a bloquear todas as pistas. Depois, ocuparam duas faixas da via local e se deslocaram pela cidade.

No momento, não há registro de lentidão em qualquer ponto da marginal. A polícia não soube informar quantos caminhoneiros protestavam no local.

Manifestantes também se concentraram na via Dutra (BR-116) em Barra Mansa (km 273), no sul do Rio de Janeiro. Houve 1,5 km de lentidão no sentido Rio e 1 km no sentido SP, de acordo com a CCR, concessionária que administra a rodovia.

Em Minas Gerais, caminhoneiros bloqueiam desde o início da madrugada desta segunda (9) trechos de três rodovias federais.

Na BR-381, a PRF registrou dois pontos de interdição nos quilômetros 359, em João Monlevade, e 51

em Igarapé. Manifestantes também bloquearam a BR-262 nos quilômetros 412, em Igaratinga. Já o trecho no km 369, em Juatuba, foi liberado por volta das 4h30.

Na cidade de Conselheiro Lafaiete também foram registrados dois bloqueios na BR-040, nos quilômetros 627 e 633.

A concessionária da MG-50, AB Nascentes das Gerais, informou por meio de nota que às 15h, o sistema MG-050/BR-265/BR-491 registrava um ponto de manifestação, na altura do km 132, em Divinópolis. Os caminhoneiros continuavam enfileirados por cerca de 1 km às 18h30. O trânsito fluía livremente, segundo a companhia.

No boletim divulgado pela PRF às 18h, Minas Gerais contava com três cidades em bloqueio parcial, ante quatro do boletim anterior (saiu Igaratinga).

Manifestantes se concentram desde a manhã desta segunda no quilômetro 375 da BR-101, próximo ao município de Iconha. De acordo com a concessionária que administra a via, a Eco101, os caminhões estão estacionados e as pistas não estão bloqueadas.

No Paraná, há paralisação em ao menos quatro estradas federais.

Às 10h, manifestantes bloquearam as estradas BR-163 (Capitão Leônidas Marques) e BR-153 (Ibaiti), permitindo o tráfego apenas para veículos de passeio e emergência.

Na BR-376, a estrada está interditada para caminhões na altura do km 252, no município de Califórnia, e no km 245, em Apucarana, desde as 7h desta segunda, informou a PRF-PR. O tráfego continua fluindo pelas marginais. Por volta das 9h, mais duas interdições foram registradas na altura do km 13

em Nova Esperança, e no km 111, em Paranavaí, com paralisação de caminhões apenas.

A BR-277 também foi interditada por volta das 7h na altura do km 670, em Medianeira, em função da paralisação de caminhoneiros. O tráfego tinha sido liberado em torno das 9h, mas voltou a ser bloqueado por volta das 13h. Somente ambulâncias passam pelo local. Na região de Guarapuava, km 339, um bloqueio para caminhões foi registrado por volta das 9h.

A BR-476 foi interditada para caminhões por volta das 14h na cidade de União da Vitória (km 358). O tráfego é liberado para veículos de passeio e emergência.

Em balanço das 20hs da Polícia Rodoviária, 11 rodovias estaduais, em 14 municípios, tinham 15 pontos de interdição parcial.

É o caso da PR-092, no município de Almirante Tamandaré (km 21), e da PR-281, nos municípios de Piên (km 47) e Mangueirinha (km 420). Também foram afetadas a PR-466, nos municípios de Jardim Alegre (km 100), Pitanga (km 181) e Manoel Ribas (km 145), e a PR-455, no município de Cambé (km 82).

Na região de Maringá, estão com interdição as rodovias PR-492, no município de Paranavaí (km 9); a PR-317, nos municípios Maringá (km 105) e Santo Inácio (km 12); e a PR-32

Na área de Ponta Grossa, outras rodovias estão interditadas, como a PR-090, no município de Curiúva (km 240); a PRC-37

no município de Ponta Grossa (km 170); e PRC-487, no município de Manoel Ribas (km 295).

Perto de Pato Branco, além da PR-281, a PRC-280 também foi parcialmente bloqueada, no município de Clevelândia (km 175).

Por volta das 3h, os manifestantes bloquearam a passagem de todos os caminhões na rodovia BR-280, próximo ao km 12

em São Bento do Sul. Os veículos foram desviados para o acostamento da via e a passagem de veículos de passeio e ônibus não foi restringida. A polícia já está negociando com os caminhoneiros, informou a PRF.

Um trecho da rodovia estadual SC-486 também ficou paralisado na altura do km 21, na fronteira dos municípios de Itajaí e Brusque, das 6h30 até as 13h30, segundo a Polícia Rodoviária.

Os protestos começaram já no fim da tarde de domingo (8), em rodovias federais do Rio Grande do Sul. Entre as 17h e as 19h, cerca de 25 caminhoneiros em 25 veículos de carga concentraram-se às margens da BR-116, na altura do km 40, em Vacaria, sem interditar a via.

Por volta da meia-noite, cerca de 100 pessoas forçaram a parada de caminhões na mesma rodovia, na altura do km 397, em Camaquã. Houve relato de queima de pneus no acostamento, segundo a PRF.

No mesmo horário, manifestantes também atearam fogo às margens da BR-285, próximo a Ijuí.

Na madrugada desta segunda (9), caminhoneiros queimaram pneus e interditaram a faixa da direita e o acostamento da BR-101, em Três Cachoeiras, entre 1h30 e 2h30. A pista já está liberada.

Por volta das 8h15, caminhoneiros chamavam veículos de carga para se aglomerarem na altura do km 245 da BR-386, em Soledade, ainda sem interdição da via.

Na BR-285, caminhoneiros se aglomeram na altura do km 27

em Mato Castelhano, desde as 8h45, sem bloquear a pista. A PRF também registra concentração de caminhoneiros em Carazinho (km 337) e Entre Ijuís (km 498) na rodovia federal.

Na BR-472, os manifestantes se aglomeram próximo ao município de Santa Rosa, em dois pontos: km 155,5 e km 168.

Na região de Farroupilha, cerca de 200 caminhões estão parados no km 68 da rodovia RS-122. A Polícia Rodoviária informou que a manifestação ocorre de modo pacífico desde as 23h do domingo e que os caminhoneiros não deram prazo para o fim do bloqueio. Às 18h30, havia congestionamento de 1 km em ambos os sentidos da via. Caminhões são impedidos de prosseguir, mas a passagem está liberada para carros e ônibus.

Houve concentração de caminhões estacionados na RS-287, km 104, região de Santa Cruz do Sul, mas a rodovia foi liberada por volta das 13h desta segunda. Também há paralisação na região de Entre-Ijuís, km 104 da RS-344. O Posto Rodoviário de Santo Ângelo informou que cerca de 20 caminhões se concentram, desde 8hs, no pátio de um posto de gasolina e se manifestam de modo ordeiro sem impedir o trânsito de outros veículos.

Às 18h, a Polícia Rodoviária Federal informava que no Estado havia protestos em 15 pontos, sendo apenas dois com bloqueio total (Dom Pedrito, que chegou a ter bloqueio, foi liberado).

Cerca de 100 caminhoneiros bloquearam a BR-304, na altura do km 51, próximo a Mossoró (RN). Os manifestantes impediram apenas o trânsito de caminhões e liberaram o tráfego de carros e ônibus. Como alternativa, a PRF deslocou para a BR-110 os caminhoneiros que queriam seguir viagem.

Desde as 6h20, manifestantes protestam na BR-407, próximo ao município de Capim Grosso. Os caminhoneiros queimaram pneus e bloquearam a pista no começo da manhã, permitindo a passagem apenas de ônibus e veículos de emergência. Segundo a PRF, o trânsito começou a ser normalizado após as 10h.

Caminhoneiros protestam desde a noite de domingo na BR-15

em Colinas do Tocantins. Segundo a PRF, a rodovia está totalmente bloqueada. O órgão não soube informar o número de manifestantes.

Em Pernambuco, por volta das 12h, os manifestantes bloquearam parte da ponte Presidente Dutra, BR-407, que liga as cidades de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA).

Em Goiás, os caminhoneiros interditam a BR-040, que liga Brasília ao Rio de Janeiro, na altura do quilômetro 12, no município de Luziânia, desde as 11h. Os manifestantes queimaram pneus na via. Houve protestos também em Jataí (BR-364) e Anápolis (BR-407).