Folha de S.Paulo

Indiciamento na Zelotes torna Bradesco alvo de ação nos EUA


O Bradesco virou nesta sexta-feira (3) alvo de processo movido por investidores em um tribunal dos Estados Unidos, sob suspeita de ocultar envolvimento em suposto esquema de fraude na Receita Federal investigado pela Operação Zelotes, da Polícia Federal.

O processo foi aberto no tribunal distrital de Manhattan em nome de detentores de recibos de ações (ADRs) do Bradesco.

A ação foi feita em nome dos investidores em ADRs do banco entre 30 de abril de 2012 e 31 de maio de 2016, ou seja, tem caráter coletivo.

O argumento é que o preço da ação do Bradesco foi inflado por causa de informações supostamente falsas e enganosas prestadas pelo segundo maior banco privado do Brasil.

O Bradesco afirmou nesta sexta que suas ações não tiveram oscilações relevantes para que o banco fosse alvo de ação judicial de investidores nos Estados Unidos e que contratará escritórios de advocacia para representá-lo na questão.

ZELOTES

Nesta terça-feira (31), a Polícia Federal indiciou o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, e outros dois executivos do banco em inquérito da Operação Zelotes que apura se grandes contribuintes pagaram propina para reverter multas na Receita Federal.

No relatório, a PF afirma que Trabuco era informado por seus subordinados das ações ilícitas realizadas no Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais).

A afirmação baseia-se em conversas de terceiros, interceptadas com autorização judicial. Não há gravações de executivos do Bradesco nem provas de contrato com empresas já denunciadas ou esquema ou pagamento do banco a envolvidos.

Responsável pelo prosseguimento da ação, o Ministério Público do Distrito Federal ainda avalia o caso e deve solicitar novas diligências antes de decidir se apresenta ou não denúncia à Justiça.

OUTRO LADO

O Bradesco afirma que foi pego de surpresa pelo indiciamento de três integrantes da direção do banco, inclusive o seu diretor-presidente.

Segundo o banco, dois diretores foram ouvidos como testemunhas e o presidente da companhia nem sequer foi ouvido "e tampouco participou de qualquer reunião com representantes do escritório de assessoria tributária" que é objeto do inquérito.

"A companhia informa que jamais prometeu, ofereceu ou deu vantagem indevida a quaisquer pessoas, inclusive a funcionários públicos, para encaminhamento de assuntos fiscais ou de qualquer outra natureza", afirma.

Segundo o comunicado do banco, os dois diretores ouvidos pela PF em São Paulo "esclareceram que foram procurados por escritório de assessoria tributária que se ofereceu para advogar uma questão fiscal junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais".

"Desses contatos não se efetivou qualquer proposta, contratação ou pagamento, mesmo porque a pendência fiscal já se encontrava sob o patrocínio de renomados tributaristas."

O Bradesco afirma ainda que o processo que é objeto da investigação foi julgado em desfavor do Bradesco por unanimidade –6 votos a 0.