Folha de S.Paulo

Agricultura vai auditar exportadores de carne in natura para os EUA


O Ministério da Agricultura determinou que seja feita uma auditoria nos frigoríficos que possuem autorização para exportar carne bovina in natura para os Estados Unidos.

A informação foi dada nesta sexta-feira (23) pelo secretário executivo da pasta, Eumar Novacki, que comentou a suspensão pelo país das importações do produto do Brasil nesta quinta-feira (22).

Atualmente, 15 plantas exportam para os EUA.

Os produtores brasileiros começaram a exportar carne bovina in natura para os americanos em setembro do ano passado. Entre janeiro e março, foram exportadas mais de 11 mil toneladas para o país, ou cerca de US$ 49 milhões.

O montante representa somente 2,79% do total, mas a avaliação é que a suspensão é má notícia para o Brasil pois o mercado americano é bastante disputado.

"Os EUA são um grande competidor internacional, uma referência. Demoramos 17 anos para acessar o mercado americano. Quando conseguimos liberação para exportar comemoramos muito, era o atestado da qualidade do sistema brasileiro", disse ele.

Novacki declarou ainda que será feita uma verificação da qualidade das vacinas —os abscessos identificados na carne podem ser consequência de imunizações do gado contra a febre aftosa.

O secretário disse também que há uma pressão dos produtores americanos para que sejam erguidas barreiras à entrada de carne brasileira, mas que "quer crer" que haja um comportamento ético em relação ao problema.

Na primeira semana de julho, está programada uma visita da equipe técnica brasileira à equipe técnica dos EUA para debater o tema, segundo ele, além de um possível encontro do ministro da Agricultura, Blairo Maggi, com autoridades americanas.

Em setembro, autoridades americanas virão ao Brasil, segundo ele.

O secretário afirmou que as inflamações detectadas na carne como reação à vacina não representam risco à saúde.

"De tudo aquilo que os EUA nos colocou, nada coloca em risco a saúde pública", afirmou o secretário.

"Essa reação à vacina não traz nenhum risco, só causa uma aparência ruim. Tanto que quando se detecta o problema se retira essa parte".

Ele declarou que, como as peças vão inteiras para os EUA, o problema só é detectado no país, quando a carne é fatiada. "Aqui no Brasil a carne é filetada, quando se detecta irregularidade, a parte é descartada", disse.

O secretário afirmou que o Chile já havia alertado o Brasil para reações na carne à vacina. "A vacinação as vezes é profunda, muitas vezes a peça está bonita, você abre e acha o problema. Tivemos recentemente um problema no Chile, que nos alertou para o problema e recomendou que houvesse o fatiamento".

A partir de agora, segundo ele, está sendo recomendado que as peças exportadas sejam fatiadas.

Novacki disse ainda que, como reflexo da Operação Carne Fraca, o Brasil sente nos mercados internacionais um clima de insegurança.

"Paira um clima de insegurança, de desconfiança em relação à inspeção brasileira. Mas reafirmamos: nós sabemos o que estamos fazendo, o sistema de inspeção brasileiro é robusto e funciona, e foi atestado por mais de 150 países", disse.

Questionado sobre a possibilidade de a suspensão ter motivações financeiras, para proteger o mercado, o secretário declarou não descartar essa hipótese.

"Queremos crer que existe uma lealdade, mas não podemos descartar que haja motivações econômicas nesse processo."