Folha de S.Paulo

Criado por brasileiros, software de projeção em domos está em 40 países


O português é a "língua oficial" de um software de projeção de vídeos em 360 graus usado hoje em mais de 40 países, dos EUA à Tailândia, passando por Rússia e Suíça.

Por trás do desenvolvimento do programa, o Blendy Dome VJ, estão os VJs brasileiros Roger Sodre e Spetto e o português Pedro Zaz.

Lançado em 2014, o software precisa de uma estrutura relativamente simples para rodar: um computador e, idealmente, seis projetores. A licença de uso custa 800 euros (R$ 2.960). O grupo também oferece consultorias e suporte técnico.

Em comparação, sistemas tradicionais para projeção em domos envolvem de seis a oito computadores, de acordo com Spetto, a um custo total que pode chegar a US$ 300 mil (R$ 927 mil).

"A projeção em 360 graus ficou portátil e amigável. Diversas instituições passaram a testar o Blendy Dome", afirma Spetto.

Uma delas é o museu MoMa PS1, em Nova York.

Em fevereiro de 2016, a instituição, filial do MoMa, usou o programa pela primeira vez, na performance musical "Valium Valentine", de seis horas de duração.

"Eles montam um domo durante alguns meses do ano, mas a estrutura não era usada para fazer projeções, apenas para sediar eventos", afirma Sodre.

"O museu entrou em contato, e oferecemos suporte direto para o pessoal técnico deles, por telefone e Skype. Eles estavam sem verba para consultoria e passagem, e não tínhamos ninguém que pudesse ir até lá na ocasião."

A colaboração deu certo, e a instituição acabou adotando oficialmente o software, segundo Spetto.

Apesar de ser um programa comercial -basta pagar e usar-, Sodre explica que o interesse artístico também é relevante para o trio, todos VJs já veteranos.

"Se um projeto interessante demanda o software, não vamos ser um empecilho: 'ah, não, não vai fazer porque não tem dinheiro'. A gente acaba dando um jeito, fazendo uma parceria", diz.

Mais recentemente, em março deste ano, o Blendy Dome VJ esteve no South by Southwest, em Austin (EUA), considerado um dos principais festivais de tecnologia no mundo.

O software foi usado em um domo da Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) no evento, que serviu de plataforma de lançamento para o Twitter em outras edições, por exemplo.

A produção do conteúdo, diversos curtas-metragens, foi encabeçada pela Outras Telas, divisão da produtora O2, de Fernando Meirelles.

"Instalamos nosso domo, de três metros de diâmetro, no estúdio da produtora, para a produção dos filmes. Demos toda a consultoria, ficamos um tempo com eles", afirma Sodre.