Folha de S.Paulo

Diretora do Facebook narra o luto e suas consequências


"Plano B - Como Encarar Adversidades, Desenvolver Resiliência e Encontrar Felicidade", que a editora Fontanar lança neste mês no Brasil, é um livro sobre o luto de Sheryl Sandberg, 47 anos, chefe de operações do Facebook, que perdeu o marido ainda jovem numa situação inesperada.

Sandberg, que escreve o livro em parceria com o psicólogo Adam Grant, é uma altíssima executiva da rede social, foi vice-presidente de vendas on-line do Google e trabalhou para Larry Summers como sua chefe de gabinete quando ele foi secretário do Tesouro americano, além de outras credenciais.

Mas seu novo livro traça a dor de uma mulher comum que encontrou o marido morto e precisará se sustentar em pé, combatendo a própria prostração para amparar as crianças.

Quem consegue superar o sentimentalismo da primeira página, em que a viúva relata o primeiro encontro romântico e a evolução do casal na década de 1990, encontra rapidamente a descrição da morte de Dave Goldberg, o homem que apresentou a Sandberg a internet e músicas que ela nunca ouvira.

Goldberg morreu em 2015, aos 47 anos, de uma arritmia cardíaca provocada por doença coronariana, durante uma viagem de férias ao México com a mulher. Foi encontrado por ela morto no chão da academia. Ele era presidente-executivo da SurveyMonkey, empresa de ferramentas para pesquisas de opinião on-line.

Ainda na introdução, fica fácil notar que "Plano B", número 1 de vendas na lista do "New York Times", não é o primeiro sucesso da executiva no mercado editorial.

Ela escreveu o best-seller "Faça Acontecer", um livro de conselhos feministas para mulheres no trabalho, e soube evitar que a narrativa de um drama pessoal seguida do discurso de resiliência se perdesse numa armadilha melodramática.

Se em "Faça Acontecer" a executiva de sucesso foi criticada por desconsiderar obstáculos enfrentados pelas mães de classe média –como horários escolares incompatíveis com a jornada de trabalho–, em "Plano B", Sandberg é mais democrática.

Uma das mulheres mais ricas dos EUA, a autora também reflete sobre consequências que costumam acompanhar o luto, mas escapam de sua realidade, como as dificuldades financeiras e o impacto do sofrimento no desempenho dos trabalhadores.

"Só nos EUA, estima-se que a perda de produtividade relacionada ao luto custe às empresas algo como US$ 75 bilhões por ano. Esse prejuízo poderia ser minimizado, e o fardo para as pessoas em luto, diminuído, se os empregadores permitissem mais tempo de licença, horários reduzidos ou flexíveis e ajuda financeira."

Para além das construções características da autoajuda, como as lições de que "o humor pode nos tornar mais resilientes" ou de que é preciso aprender com fracassos, Sandberg compartilha detalhes factuais, como a triste cena em que leva aos filhos a notícia da tragédia.

A franqueza com que ela expõe ao leitor os pormenores íntimos de seu luto contrasta com a personagem pouco espontânea de Sandberg enquanto celebridade do mundo corporativo.

Sem deixar de mencionar Mark Zuckerberg, ela lembra que foi ele um dos responsáveis por organizar o velório e narra o retorno ao escritório.

"Os primeiros dias de volta ao trabalho foram de absoluta névoa. Na primeira reunião, a única coisa em que eu conseguia pensar era: 'Do que eles estão falando e que importância tem?'. Em certo momento, me envolvi com o debate e durante um segundo –talvez meio segundo– esqueci. Esqueci a morte."

A memória da perseguição feminina pela liderança no trabalho, tão discutida em "Faça Acontecer", fica latente durante a leitura de "Plano B" –em especial os trechos em que ela abordava a importância de ter um marido plenamente comprometido, que a incentivou a ter sucesso tão grande quanto o dele nos negócios.

Plano B
QUANTO: R$ 39,90 (216 PÁGS.)
AUTOR: SHERYL SANDBERG E ADAM GRANT
EDITORA: FONTANAR