Folha de S.Paulo

Sem beber, jovens estudam vinho e agronegócio em SC


Ainda que estejam longe de poder degustar um vinho, jovens na faixa de 12 a 16 anos começam a dar os seus primeiros passos para o estudo da enologia.

O projeto, chamado História e Vitivinilcultura, acontece no Estado de Santa Catarina. Até agora, ele já levou cerca de 200 estudantes de uma escola da rede de ensino estadual para conhecer de perto as vinícolas localizadas na serra catarinense.

"É uma oportunidade para que eles descubram o potencial do crescimento econômico da região onde vivem e também de estudar de uma maneira diferente", explica o idealizador da atividade e professor de história Gil Karlos Ferri, 25.

Eduarda Amorim, 15, aluna do ensino médio no município de Anita Garibaldi, visitou a vinícola Villaggio Grando, que fica em Água Doce, em junho. "Pude ver conceitos que eu aprendi em sala de aula, como por exemplo a equação da transformação do açúcar em álcool por meio das leveduras", lembra ela.

Uma semana antes de cada passeio, a turma se reúne para assistir a uma aula sobre a história da região.

Durante a excursão, os alunos conhecem a plantação, aprendem sobre a colheita e o armazenamento e também conversam com os proprietários sobre as perspectivas do agronegócio. Ao fim, eles bebem suco de uva, é claro.

A iniciativa surgiu no último ano da graduação de Ferri, na Universidade Federal de Santa Catarina, em 2014. Mas o plano só foi colocado em prática no ano seguinte, depois que o professor conheceu o enólogo Leonardo Ferrari, da vinícola Abreu Garcia, em Campo Belo do Sul, que embarcou na ideia e recebeu o primeiro grupo.

As chamadas vinícolas-butique chegaram à serra catarinense no fim dos anos 1990. Em 2016, a produção da região chegou ao marco de 1,2 milhão de garrafas de vinho, gerando um resultado estimado em R$ 150 milhões.

Na associação Vinhos de Altitude estão cadastrados 30 produtores da área, cujas terras somam 240 hectares.

Para Guilherme Grando, 32, diretor da vinícola Villaggio Grando e presidente da Vinhos de Altitude, o projeto é importante por incentivar o desenvolvimento regional.

"No entorno, são empregadas 2.000 pessoas, direta ou indiretamente ligadas a este mercado. A experiência tem valor cultural para esses jovens, que podem vir a trabalhar no setor ou na melhoria de serviços", aponta.