Folha de S.Paulo

Brasil tenta eliminar restrições ao comércio de carne, diz chefe da OMC


O Brasil está engajado nas negociações do comitê da OMC (Organização Mundial do Comércio) com o objetivo de eliminar qualquer potencial barreira às exportações de carnes suína e de frango, com uma reunião em dezembro sendo a próxima oportunidade para avançar com os acordos que beneficiem suas exportações agrícolas, disse o diretor-geral da OMC, Roberto Azevêdo, nesta terça-feira (29).

O Brasil propôs a adoção de critérios científicos relacionados a padrões sanitários no comércio de alimentos em um comitê da OMC, disse Azevêdo em uma conferência.

O Brasil e a Europa têm interesse em avançar nas negociações para reduzir os subsídios que distorcem o comércio, embora não hajcarne a acordo em vista, completou ele. A UE, o Brasil e outros três países da América Latina implementaram uma proposta da OMC em julho para reduzir os subsídios agrícolas.

"Para que seja possível reduzir os subsídios, é necessário que todos os países mudem. Caso contrário, é como o desarmamento unilateral", afirmou Azevêdo.

A OMC realizará uma conferência ministerial em Buenos Aires no início de dezembro.

As declarações de Azevêdo ressaltaram a importância de eliminar barreiras protecionistas em um momento em que o crescimento do comércio global permanece fraco.

A OMC prevê que 2017 será o sexto ano consecutivo de crescimento do comércio global abaixo de 3%, sendo esse o ritmo mais lento de crescimento desde a Segunda Guerra Mundial, disse ele.

O ministro da Agricultura do Brasil, Blairo Maggi, disse nesta terça que o recente escândalo sobre a indústria de carne do país após a Operação Carne Fraca obrigou o governo a revisar a fiscalização e os sistemas de controle de qualidade para preservar o acesso do país a mercados importantes.

Fazendo referência à operação policial que denunciou em março empresas acusadas de pagar propinas a fiscais para evitar que seus produtos fossem vistoriados, Maggi disse que as mudanças visam acabar com qualquer forma de interferência política sobre os processos de fiscalização.

Mais detalhes sobre essa revisão serão anunciados em breve, disse o ministro, ao participar de evento da indústria em São Paulo.