Folha de S.Paulo

Bebidas 'made in Brazil' têm potencial para ganhar mercado


Os gins brasileiros têm sabores diferentes das versões clássicas, de origem europeia, e qualidade para disputar o consumidor em pé de igualdade com os importados de preço semelhante.

Com a adição de ingredientes locais, cria-se um diferencial que abre oportunidades para exportação.

Todos eles contam com o zimbro na composição, fundamental para dar à bebida seu aroma clássico. Mas há particularidades.

O gim Arapuru tem sabor leve e equilibrado, mesmo puro, e notas cítricas de mexerica e limão cravo que lhe dão frescor. É um rótulo que permite o uso em qualquer drinque clássico, mesmo acompanhado de vermutes fortes.

Já no Amázzoni, mais leve, dá para perceber sabores de louro, coentro e cipó-cravo, uma combinação feliz de cítricos, frutados e especiarias.

Sua delicadeza pode servir melhor em drinques neutros, como dry martinis e gim tônicas, onde não há adição de outros aromas mais fortes.

O Virga combina notas cítricas e picantes ao aroma distintamente brasileiro, oferecido pela adição de cachaça à composição. De cara, é possível perceber a bebida nacional, que se destaca até mais do que o zimbro.

O gostinho das especiarias vai surgindo aos poucos, numa mistura potente mas equilibrada, boa para ser usada em coquetéis.

O uso da cachaça é inusitado, mas pode ganhar o consumidor internacional já que desperta a curiosidade de um público que não está acostumado ao destilado brasileiro.

A marca Draco, por sua vez, mirou os sabores clássicos da bebida, como zimbro e coentro, mais algumas notas cítricas. É o mais próximo de um gim europeu, da modalidade London Dry.

Saboroso, pode ter dificuldades de disputar mercado por ter aroma parecido com os clássicos da Europa.

KENNEDY NASCIMENTO é gestor de bares do Grupo Vegas e vencedor do World Class 2015, principal prêmio da coquetelaria