Folha de S.Paulo

Programas de reciclagem geram lucro e novas formas de reaproveitamento


Reciclar embalagens resulta em dinheiro no bolso tanto do freguês quanto dos criadores da Retorna Machine. Na máquina de autoatendimento para reciclagem, o usuário deposita garrafas pet, latas de alumínio, vidro ou caixas de produtos "longa vida" e ganha pontos.

Dez garrafas ou sete latas depositadas na máquina, idealizada pela start-up Triciclo, dão R$ 0,27 de desconto na conta de luz e R$ 0,35 de crédito para o usuário do Bilhete Único (cartão de transporte da prefeitura paulistana).

"Ao reverter a participação em benefícios, trazemos mais gente para a coleta seletiva", diz Felipe Cury, diretor-executivo da Triciclo. A start-up que comanda ao lado de seu primo, Christian Cury, tem 35 mil usuários cadastrados.

Em São Paulo, as 18 máquinas Retorna estão nas estações de metrô Pinheiros e Faria Lima, mercados e empresas. Há ainda uma máquina no Rio de Janeiro e outra em Recife. As embalagens recolhidas são levadas para cooperativas de catadores.

O programa para famílias de baixa renda da SO+MA também dá benefícios a quem recicla. As famílias cadastradas levam embalagens aos postos de coleta nos bairros Capão Redondo e Grajaú (zona sul de São Paulo), que são revertidas em pontos, trocados por alimentos ou cursos.

Estão inscritas 610 famílias, mas a expectativa de Claudia Pires, fundadora da SO+MA, é chegar a 1.800 em cada bairro. "Trabalhamos com incentivo para mudar comportamentos", diz Pires.

A start-up é patrocinada por empresas, como uma fabricante de bebidas e outra de alimentos. Em julho, o posto do Grajaú coletou 4,3 toneladas de resíduos.

Um acordo feito pelo setor de embalagens estabelece redução em 22% da massa de resíduos destinada aos aterros e lixões até o final de 2018.

De olho nesse objetivo, a Eureciclo lançou há um ano um programa no qual uma rede de cooperativas é paga para reciclar no lugar das empresas, suas clientes.

"Nós vendemos certificados para mostrar que a indústria está adequada e distribuímos o valor para a cadeia de reciclagem. É o poluidor pagando para o reciclador", diz Thiago Pinto, co-fundador da Eureciclo. Eles trabalham com 35 cooperativas e mais de 75 marcas e pretendem fechar o ano com 200 clientes.

A embalagem deve levar em conta ciclo de vida, preservação e manuseio do produto. Em alguns casos, essas características dificultam a reciclagem, segundo Luciana Pellegrino, diretora-executiva da Abre (Associação Brasileira de Embalagem).

"Temos laboratórios especializados em criar soluções para embalagens difíceis", diz Guilherme Brammer, diretor-executivo da Boomera, que transforma cápsulas de café em vasos para mudas de cafeeiros e embalagens plásticas flexíveis de sabonete líquido em tampas de xampu.

As embalagens vêm de cooperativas e pontos de entrega voluntária e são levadas para a fábrica da empresa em Cambé (PR), adquirida em maio. Com a fábrica, a Boomera aumentou a produção e o número de funcionários, que agora é de 125.

"Queremos dobrar de tamanho e chegar a R$ 50 milhões de faturamento em 2018", diz Brammer.