Folha de S.Paulo

Meirelles diz haver 'planos concretos' de investidores para o Brasil


O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, defendeu que as reformas estruturais propostas e já aprovadas pelo governo Temer estão melhorando confiança na economia do Brasil e ajudando a atrair investimentos internacionais ao país.

Durante entrevista concedida nesta segunda (25) após uma palestra na London School of Economics, em Londres, o ministro disse que suas viagens recentes para promover a agenda de reformas em países como os Estados Unidos e o Reino Unido estão gerando "resultados concretos" em termos de interesse de investidores estrangeiros em entrar no país ou ampliar participação no mercado brasileiro.

"Existem hoje decisões concretas de investimento no Brasil", disse, evitando citar nomes de empresas ou áreas de atuação específica.

"Quando estava em Nova York, conversei com grupos de grandes empresas e de médias e pequenas empresas e vi um grande número de empresários que não estão no Brasil com planos de ir para o país e empresas que já estão no Brasil com planos de aumentar a presença lá. São planos concretos, em todas as áreas, companhias que conheço e que dizem que têm planos de aumentar investimentos, e mesmo companhias que não conhecemos e que estarão conhecidas em algum tempo", disse Meirelles.

Após discursar em defesa da agenda econômica do governo por pouco mais de uma hora, Meirelles disse que o investimento internacional está crescendo por conta do aumento da confiança do mercado no Brasil, e afirmou que isso independe das investigações e denúncias de corrupção contra o governo.

"O investimento estrangeiro direto continua muito forte, estamos em um nível muito alto. Isso é resultado do que está sendo feito no país. As empresas estão olhando para o que realmente está acontecendo na economia do país e no ambiente institucional do Brasil", disse.

Segundo Meirelles, os números da economia mostram a recuperação. "Isso porque as reformas estão sendo aprovadas, e vamos sair como um país muito melhor. As coisas estão caminhando no Brasil apesar dos problemas e discussões. As pessoas já estão olhando para o futuro. Os resultados até hoje são fortes, e a expectativa é de que sejam ainda melhores", disse.

O ministro disse ainda que acredita que a reforma da Previdência deve ser votada entre o fim de outubro e o começo de novembro, e defendeu a sua importância. "Se não fizermos a reforma agora, isso terá que ser feito pelo próximo governo", disse.

Segundo ele, por conta da crise política, entretanto, ainda há questionamentos sobre a possibilidade de a votação acontecer de fato. "Como vocês sabem há uma acusação contra o presidente, que vai ser votada antes da reforma da Previdência, como é natural", disse.

Apesar de dar atenção especial à reforma da Previdência, o ministro fez uma defesa ampla de toda a agenda de reformas do governo como forma de construir "uma política monetária com credibilidade".

Alegando estar discursando para possíveis interessados em abrir empresas no Brasil, Meirelles defendeu o aumento da produtividade e da eficiência da economia brasileira, indo além das reformas estruturais.

"Estamos querendo aumentar a produtividade da economia brasileira com regulações setoriais, ajustes fiscais e medidas para aumentar a eficiência do mercado de créditos", disse, mencionando ainda a ideia de uma nova política para o BNDES, um novo regime orçamentário e medidas para melhorar o ambiente de negócios no Brasil, tornando o país mais competitivo.

Ele falou ainda sobre o problema das dívidas nos Estados, e disse que isso tem relação com a recente escalada da violência no Rio de Janeiro. "O Estado do Rio está em uma crise financeira. Não é o único fator, mas é um fator importante [da violência], pois afeta a capacidade do Estado de manter uma polícia eficiente e pagar salários em dia", disse.

Questionado por jornalistas, Meirelles evitou responder sobre uma possível candidatura sua à Presidência da República.

Depois de falar na universidade, Meirelles continua em Londres nesta terça (26), quando participa de eventos em bancos na capital inglesa.