Folha de S.Paulo

Governo desiste de migrar Eletrobras para segmento mais rígido na Bolsa


Para agilizar o processo de privatização da Eletrobras, o governo decidiu adiar a entrada da empresa no Novo Mercado, segmento de regras de governança mais rígidas da Bolsa B3. O anúncio foi feito nesta quinta (5) por Paulo Pedrosa, ministro de Minas e Energia em exercício.

Com o adiamento, o governo tenta concluir a diluição de seu controle acionário na estatal até o primeiro semestre de 2018 – a União detém diretamente 40,99% das ações da companhia. A expectativa é arrecadar entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões para reduzir o rombo nas contas públicas do próximo ano.

"Nosso entendimento é que levar a Eletrobras ao Novo Mercado, na visão atual, ampliaria o cronograma e comprometeria os prazos que nós queremos. Então, possivelmente, isso será uma obrigação para o novo investidor, e não uma condição prévia ao leilão", disse Pedrosa durante evento da Apine (Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica), em Brasília.

Os investidores reagiram mal à mudança de planos. As ações ordinárias –com direito a voto– da Eletrobras recuaram 1,74%, enquanto as preferenciais fecharam em baixa de 0,87%. O Ibovespa, principal índice do mercado acionário brasileiro, fechou em leve alta de 0,03%.

Ainda assim, as ações da Eletrobras acumulam forte valorização desde o anúncio da privatização, em 21 de agosto. Os papéis ordinários da empresa sobem 51,2% e os preferenciais, 40,7%.

Parte desse otimismo com a empresa estava associado não somente à notícia da diluição da participação do governo, mas também à migração para o Novo Mercado, que exige mais transparência. Na avaliação de analistas, esse é um dos pontos que podem explicar a decisão de adiar a adesão ao segmento.

"Entrar no Novo Mercado é abrir todas as informações da empresa, de uma maneira mais criteriosa. É colocar uma lupa lá dentro, e não se tem ideia do que será encontrado", avalia Raphael Figueredo, sócio-analista da casa de análises Eleven Financial. "O custo pode ser maior do que simplesmente deixar tudo do jeito que está hoje."

Apesar do adiamento, Figueredo crê que a empresa deve acabar migrando para o segmento, após a conclusão da privatização. "Atrai o investidor estrangeiro, que busca mais governança", diz.

As empresas do Novo Mercado só podem emitir ações com direito a voto. Também precisam ter uma área de auditoria interna e divulgar informações aos acionistas, como políticas de remuneração.