Folha de S.Paulo

Com start-ups bilionárias, Utah vira polo tecnológico nos EUA


Quando Josh James viajou a San Francisco (EUA), em 2000, em busca de financiamento para sua empresa de análise de dados coletados na internet, conversou com um potencial investidor que virou as costas quando soube que ele vinha de Utah, região centro-oeste do país.

Hoje, o Estado se tornou um pujante centro de tecnologia e é sede de pelo menos cinco empresas que valem mais de US$ 1 bilhão, os chamados "unicórnios", como a Pluralsight, a Qualtrics, a InsideSales e a Domo, fundada pelo próprio James. Utah só fica atrás de Califórnia, Nova York e Massachusetts em número de empresas de alto crescimento.

Antes, a maioria dos empreendedores usava capital próprio para se financiar.

"Eram quase como negócios familiares, já que não havia recursos e era preciso se virar sozinho", afirma Ryan Smith, da Qualtrics.

A Domo, que James fundou em 2010 e oferece um serviço que integra informações de inteligência empresarial na nuvem, recebeu aportes de US$ 684 milhões de investidores como a BlackRock e a Benchmark Capital.

Com o crescimento desse novo polo, surgiram financiadoras locais, que impulsionaram a entrada de capital. Segundo a consultoria CB Insights, mais de US$ 2,6 bilhões foram injetados nas dez empresas mais cobiçadas pelos investidores.

Agora, o desafio é encontrar engenheiros, programadores e executivos experientes para tocar as empresas.

Como não há oferta suficiente de profissionais dali, muitas empresas tem vendido as amenidades locais, como as pistas de esqui de Park City, como atrativo para que esses candidatos se mudem.

Além disso, algumas dessas empresas têm considerado abrir o capital, o que confere legitimidade a elas.

"O melhor jeito de incentivar as start-ups é apresentando saídas por onde essas organizações possam crescer rápido", diz a especialista da CB Insights Farrah Kim.

Para James, essa abertura mostra que organização já tem o respaldo do mercado. "Você é tratado de outra forma quando abre o capital."