Folha de S.Paulo

Bolsa sobe 2,7% após governo reiterar compromisso com Previdência


A Bolsa brasileira registrou nesta quarta-feira (8) a maior alta diária em um mês em resposta aos esforços do governo para reiterar o compromisso com a aprovação da reforma da Previdência. O dólar também refletiu esse otimismo maior do mercado e recuou a R$ 3,26.

O Ibovespa, que reúne as ações mais negociadas da Bolsa, fechou em alta de 2,69%, para 74.363 pontos. É a maior valorização diária desde 3 de outubro, quando o avanço foi de 3,23%.

O dólar comercial caiu 0,39%, para R$ 3,264. O dólar à vista, que fecha mais cedo, teve queda de 0,78%, para R$ 3,252.

O alívio no mercado financeiro ocorreu um dia após a Bolsa atingir o menor nível desde 5 de setembro em reação a declarações do presidente Michel Temer, na segunda (6), de que seria difícil votar a reforma da Previdência.

Nesta quarta, porém, o governo voltou a mostrar sinais de que se esforça para tentar passar um texto mínimo da reforma. O deputado Arthur Maia (PPS-BA) deve apresentar nesta semana uma nova proposta de reforma, mais enxuta, mantendo apenas pontos essenciais da mudança nas aposentadorias, como idade mínima e igualdade entre servidores públicos e privados.

"O discurso do governo mudou um pouco. Na terça, a gente amanheceu com o [presidente Michel] Temer largando no colo do Congresso e da sociedade a responsabilidade pela não aprovação da reforma. Nesta quarta, o quadro mudou um pouco, com o discurso de votar até o final do ano", afirma Alvaro Bandeira, economista-chefe do home broker Modalmais.

Para ele, mesmo que diluído, o efeito da aprovação seria suficiente para melhorar a confiança dos investidores no Brasil e no governo.

A melhora do humor no mercado foi generalizada e se intensificou após a notícia de que o Ministério Público Federal denunciou o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega no âmbito da operação Zelotes.

Os papéis da Petrobras subiram mais de 2%, apesar da queda dos preços do petróleo no exterior. As ações mais negociadas da estatal avançaram 2,73%, para R$ 16,95. Os papéis que dão direito a voto tiveram ganho de 2,72%, para R$ 17,74.

As ações da Vale também terminaram o dia no azul, mesmo com a desvalorização de 0,64% do minério de ferro. As ações ordinárias da mineradora subiram 1,25%, para R$ 33,94. Os papéis preferenciais avançaram 0,96%, para R$ 31,45.

A maior alta foi registrada pelos papéis da Marfrig, que subiram 11,02%. A Usiminas se valorizou 8,02%. Só três das 59 ações fecharam em baixa: Embraer (-0,98%), Cielo (-0,30%) e Taesa (-0,25%).

No setor financeiro, as ações do Itaú Unibanco subiram 3,65%. Os papéis preferenciais do Bradesco tiveram alta de 3,63%. As ações ordinárias do banco tiveram avanço de 2,73%. As ações do Banco do Brasil se valorizaram 5,24%. As units -conjunto de ações- do Santander Brasil fecharam com valorização de 4,59%.

No mercado cambial, o dólar perdeu força em relação ao real, acompanhando enfraquecimento registrado também em relação a outras divisas. Entre as 31 principais moedas do mundo, o dólar enfraqueceu ante 23.

A valorização do real também refletiu uma maior confiança dos investidores em relação aos esforços do governo pela aprovação da reforma. Mas houve também um componente externo, em meio a preocupações sobre um potencial adiamento da reforma tributária do presidente americano, Donald Trump.

O presidente da Câmara dos Deputados, Paul Ryan, sinalizou quarta que pode haver um possível adiamento na implementação da reforma tributária.

No mercado de juros futuros, os contratos mais negociados tiveram dia de queda. O DI para janeiro de 2018 recuou de 7,206% para 7,199%. A taxa para janeiro de 2019 caiu de 7,290% para 7,240%.