Folha de S.Paulo

Carteira de crédito do BB recua, mas banco vê recuperação no 4º trimestre


A queda de 6,4% da carteira de crédito do Banco do Brasil no terceiro trimestre não fez a instituição financeira rever sua estimativa para empréstimos neste ano. No cenário desenhado nesta quinta (9) pelo presidente do banco, Paulo Caffarelli, os últimos três meses serão de retomada das concessões, especialmente para pessoas físicas, e ajudarão o banco a se alinhar com o projetado para 2017.

"Considerando o que estamos fazendo, temos uma perspectiva muito boa para o quarto trimestre em relação ao incremento de desembolso. A gente entende que, no crédito, a gente vai conseguir atingir o que está previsto no nosso guidance", disse.

O guidance do banco traz estimativas para lucro líquido, margem financeira bruta (gerada pelas operações de crédito), carteira de crédito para pessoa física, jurídica e rural, despesa com devedores duvidosos, receita com tarifas e despesas administrativas.

Para a carteira de crédito, a expectativa é de recuo entre 1% e 4% no ano. Até setembro, a queda apurada era de 6,9%.

No que diz respeito a pessoas físicas, a projeção é de crescimento das concessões de 2% a 5% no ano. Até o terceiro trimestre, o avanço registrado ficou em 1,1%.

Já para empresas, a situação é mais desafiadora. O BB projeta que a retração nos empréstimos ficará entre 8% e 11%, mas até setembro a queda era de 16%.

"Como tínhamos feito uma alteração no guidance no segundo trimestre, entendemos que o guidance revisado é o que está valendo para nós até 31 de dezembro de 2017", afirmou Caffarelli nesta quinta.

Segundo ele, o banco cogitou rever as projeções, mas decidiu manter os números por estar "convicto" de que o guidance será atingido. "Óbvio que, na questão de pessoa jurídica, a gente tem uma redução da carteira bastante brusca, notadamente por conta de MPE, seja por conta de perdas ou mesmo por liquidação de operações", afirmou.

A carteira de crédito para micro e pequenas empresas recuou 30,9% no trimestre na comparação com o mesmo período do ano passado, para R$ 74,909 bilhões. Em relação ao segundo trimestre, a queda foi de 9,9%.

"Nesse caso, em função de pessoa jurídica, notadamente as micro e pequenas empresas, onde tivemos uma redução brusca, no guidance de pessoa jurídica pode ser que a gente tenha dificuldade de atingir. Mas a nossa meta é tentar atingir o guidance previsto", ressaltou.

Para Caffarelli, a crise que atingiu o país é "muito diferente das crises passadas".

"Atingiu 4.000 empresas em termos de recuperação judicial. Uma boa parte dessas empresas cliente dos bancos no segmento de micro e pequenas empresas. Sendo assim, essa retomada é um pouco mais retomada. Mas estou muito mais focado hoje na questão dos desembolsos, das novas operações de crédito, do que especificamente o que ficou para trás", ressaltou.

A retomada das concessões deve passar por linhas mais conservadoras, segundo Caffarelli. "A gente tem essa tendência de ser um banco conservador. Nossa carteira de crédito hoje predomina consignado, financiamento imobiliário, CDC salário, o que traz um índice de inadimplência bastante baixo", diz.

O presidente do BB ressalta que esse cuidado na estruturação do portfólio dá espaço para que o banco conceda crédito de linhas mais arriscadas, mas que a característica do BB é ser mais conservador.

No segmento pessoas físicas, o banco aumentou as concessões de financiamento imobiliário (6,1%), cartão de crédito (3,4%) e consignado (3,2%) no terceiro trimestre. Por outro lado, houve recuo em empréstimo pessoal (-26,6%), cheque especial (-17,6%) e financiamento de veículos (-14,9%).

Em pessoas jurídicas, além da queda de 31% em micro e pequenas empresas, houve retração de 7,7% em médias empresas e de 2% nas concessões para o governo.

Para 2018, o presidente do banco estima que o mercado de crédito do país crescerá 6%. "Tem uma tendência de rever o mix da carteira de crédito do banco, de forma que uma parte hoje de recursos que estão hoje direcionados para o large corporate [grandes empresas] possam migrar para atuação no mercado de pessoa física ou no mercado de pessoa jurídica de empresas pequenas", afirmou, explicando que isso faz parte da estratégia do banco de tentar se aproximar da rentabilidade dos concorrentes.

Caffarelli avalia que o crescimento econômico de 2018 favorecerá a geração de emprego, a retomada de confiança do comércio, consumo e indústria, e a queda do desemprego. "Existe uma tendência muito grande de que a produtividade de 2018 será muito superior à de 2017. É ano de eleição, de Copa do Mundo, mas não há uma interferência na parte econômica muito forte", destaca.

A projeção do banco é de que PIB (Produto Interno Bruto) cresça 2,8% em 2018 –para este ano, a expectativa é de avanço de 0,7%.