Folha de S.Paulo

Bolsa acompanha exterior ruim e tem queda de 1,9%; dólar cai para R$ 3,26


A preocupação que se instalou no exterior com a divulgação de detalhes da reforma tributária do americano Donald Trump repercutiu nesta quinta (9) na Bolsa brasileira, que voltou ao patamar de 72 mil pontos. O dólar fechou praticamente estável, cotado a R$ 3,26.

O Ibovespa, das ações mais negociadas, teve queda de 1,93%, para 72.930 pontos. O volume financeiro foi de R$ 9,13 bilhões, contra média de R$ 10,6 bilhões em novembro.

O dólar comercial teve queda de 0,09%, para R$ 3,261. O dólar à vista, que fecha mais cedo, subiu 0,21%, para R$ 3,259.

Os primeiros detalhes revelados do plano tributário americano fizeram o dólar perder força no mundo e azedaram o humor dos investidores americanos, o que se refletiu em queda dos principais indicadores de Wall Street e impactou a Bolsa brasileira.

A versão que foi aprovada por uma comissão liderada por republicanos no Senado americano vai adiar o efeito dos cortes de impostos de empresas até 2019. O texto que passou traz ainda uma redução menor de impostos para empresas: 20%, em vez dos 35% iniciais. Outras mudanças tributárias poderiam aumentar substancialmente o deficit federal americano na próxima década.

Como resultado, as Bolsas americanas caíram. O Dow Jones caiu 0,43%, para 23.461 pontos. O S&P 500 teve baixa de 0,38%, para 2.584 pontos. O Nasdaq se desvalorizou 0,58%, para 6.750 pontos

"A realidade hoje foi de realização de lucros lá nos EUA que acabou pesando aqui também. Além disso, aqui há um mal-estar desde terça provocado pela saída de capital estrangeiro da Bolsa e pela incerteza sobre a reforma da Previdência, que gerou um princípio de pânico após o governo indicar que tinha praticamente descartado a votação", afirma Raphael Figueredo, sócio-analista da Eleven Financial.

Nesta quinta, o ministro Henrique Meirelles (Fazenda) admitiu que areforma será mais enxuta, mas afirmou que a redução da proposta não pode ser superior a 50% do previsto originalmente.

O texto enviado pela equipe econômica previa uma economia de cerca de R$ 800 bilhões, mas o relatório aprovado em comissão especial, que está sendo rediscutido, foi desidratado e já representava 75% da primeira proposta.

Depois da alta generalizada da sessão anterior, o Ibovespa viu 48 de suas 59 ações caírem nesta quinta. Nove subiram e duas fecharam estáveis.

A maior queda foi registrada pelas ações preferenciais da Eletrobras, que caíram 5,36%. A CSN perdeu 5,08%, e a Bradespar, acionista da Vale, registrou baixa de 5,04%.

Na ponta azul, os papéis da JBS subiram 5,82%. Nesta quinta, o presidente da CPI mista da empresa, senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO), enviou ofícios ao ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal), e à procuradora-geral da República, Raquel Dodge, em que sugere a rescisão do acordo de delação premiada do executivo do grupo Wesley Batista.

As ações de Fibria (+5,25%), Suzano (+5,18%) e Klabin (+2,26%) também subiram.

Os papéis da Petrobras caíram mais de 1%, apesar da alta dos preços do petróleo. Os papéis preferenciais da estatal recuaram 1,36%, para R$ 16,72. As ações ordinárias caíram 1,35%, para R$ 17,50.

As ações da mineradora Vale perderam cerca de 3%, embora o minério de ferro tenha subido 0,1%. As ações ordinárias tiveram recuo de 3,36%, para R$ 32,80. Os papéis preferenciais caíram 2,83%, para R$ 30,56.

No setor financeiro, as ações do Itaú Unibanco recuaram 2,70%. Os papéis preferenciais do Bradesco tiveram queda de 3,62%. As ações ordinárias do banco tiveram desvalorização de 3,48%. As units -conjunto de ações- do Santander Brasil fecharam com perda de 3,30%.

As ações do Banco do Brasil se desvalorizaram 2,57%. O banco divulgou balanço nesta quinta, com avanço de 15,9% no lucro ajustado, para R$ 2,708 bilhões.

O dólar perdeu força ante 22 das 31 principais divisas mundiais.

O CDS (credit default swap, espécie de seguro contra calote) subiu 0,72%, para 177,5 pontos.

No mercado de juros futuros, os contratos mais negociados tiveram dias mistos. O DI para janeiro de 2018 recuou de 7,196% para 7,189%. A taxa para janeiro de 2019 subiu de 7,250% para 7,290%.