Folha de S.Paulo

Fitch mantém nota do Brasil em grau especulativo, com perspectiva negativa


A agência de classificação de risco Fitch confirmou, nesta sexta (10), a nota de crédito do Brasil e manteve o país no grupo considerado mau pagador de suas dívidas.

A Fitch manteve o rating do Brasil em "BB", dois níveis abaixo do grau de investimento, espécie de selo de bom pagador. A perspectiva é negativa, o que significa que o país pode ser rebaixado se a agência considerar que as condições do país pioraram.

Segundo a Fitch, os ratings do Brasil são pressionados por uma fraqueza estrutural em suas contas públicas e pelo alto endividamento do governo. Também prejudicam o cenário traçado pela agência as fracas perspectivas de crescimento e indicadores de governança mais fracos em comparação com países de características semelhantes, além do recente histórico de instabilidade política que pesa sobre a condução da política.

Essas fraquezas, afirma a Fitch, são contrabalanceadas pela diversidade econômica do país e pelas instituições civis sólidas, com a renda per capita maior que a mediana de outras nações que também têm rating "BB".

"A capacidade do país de absorver choques é sustentada por sua taxa de câmbio flexível, pela robusta posição de reservas internacionais, uma forte posição de credor e por um mercado doméstico de dívida pública profundo e desenvolvido", diz a Fitch.

Uma melhora no ambiente político, a redução dos desequilíbrios externos e a aprovação de algumas reformas microeconômicas nos últimos meses apoiam esse perfil de crédito.

A agência afirma que a perspectiva negativa reflete as incertezas sobre a solidez e sustentabilidade da recuperação econômica do país. Espelha ainda a perspectiva para estabilização da dívida no médio prazo devido ao elevado deficit fiscal, e o avanço na agenda legislativa, especialmente relacionado à reforma da Previdência.

"Um ambiente político desafiador continua a impedir o avanço da reforma da Previdência, que é importante para a viabilidade e credibilidade do teto de gastos no médio prazo", diz a Fitch. As eleições de 2018 também poderiam travar o avanço das mudanças na aposentadoria e pesar sobre a recuperação econômica, na avaliação da agência.

A decisão da agência acontece em uma semana em que o presidente Michel Temer chegou a admitir que a reforma poderia não ser votada, o que teve reflexos no mercado financeiro. O governo, em seguida, fez esforços para garantir que continuaria trabalhando para passar a proposta, ainda que mais enxuta.

Para a Fitch, a última denúncia de corrupção envolvendo Temer parece ter diminuído o capital político dele e o apoio no Congresso, dificultando a aprovação da reforma da Previdência.

Segundo a agência, um dos fatores que podem levar a um rebaixamento é um retrocesso na atual agenda reformista do governo. Se isso acontecesse, diz a Fitch, poderia diminuir a confiança dos investidores na trajetória das contas públicas no médio prazo.

Outro fator de risco apontado pela agência é o fracasso na contenção do ritmo de crescimento do endividamento do governo, assim como a diminuição das reservas internacionais e a piora na composição da dívida pública.

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