Folha de S.Paulo

Inverno tornará mais dramática situação de refugiados na Europa


Migrantes e refugiados em número recorde atravessaram o Mediterrâneo em direção à Europa em outubro, justamente em tempo antes da chegada do inverno, que ameaça expor milhares deles a condições inclementes.

As cifras mais recentes da ONU mostraram que 218 mil pessoas fizeram a perigosa travessia do Mediterrâneo no mês passado, confirmando os temores de que o fim do verão não freou o fluxo de refugiados, como ocorria nos últimos anos. Isso acontece em parte devido ao desespero total das pessoas que fogem da guerra cada vez mais intensa na Síria e de outros conflitos.

O número enorme de pessoas que chegam ao mesmo tempo em que o inverno gera receios de uma nova crise humanitária na Europa.

O frio está chegando mais rapidamente que a capacidade de os líderes europeus tomarem decisões críticas. Algumas medidas para providenciar policiamento extra e abrigo para 100 mil pessoas foram acordadas numa cúpula de países da UE e dos Bálcãs, no domingo.

Mas estimados 700 mil refugiados e migrantes já chegaram à Europa neste ano, passando por rotas terrestres e marítimas irregulares e perigosas, vindos da Síria, Eritreia, Afeganistão, Iraque, norte da África e outras locais.

Dezenas de milhares, incluindo crianças e idosos, estão desabrigados num momento em que o escuro chega mais cedo e as primeiras geadas noturnas estão começando. A hipotermia, a pneumonia e doenças oportunistas são as maiores ameaças agora, ao lado do desespero crescente dos refugiados que procuram salvar a vida de seus familiares.

Brigas explodem em torno de cobertores, ocasionalmente entre grupos de pessoas de nacionalidade diferente. Traficantes de pessoas para exploração sexual seguem as colunas de refugiados para levar migrantes jovens e desacompanhados.

A agência das Nações Unidas para os refugiados, Acnur, distribui pacotes para sobrevivência ao ar livre, incluindo sacos de dormir, cobertores, capas de chuva, meias, calçados e roupas, mas o número de pessoas que ela pode atender é limitado por suas verbas, até agora gravemente insuficientes.

Organizações de voluntários vêm procurando suprir a falta aguda de provisões humanitárias na Europa.

Peter Bouckaert, diretor de emergências da Human Rights Watch, disse que em todo o trajeto de entrada na Europa a partir dos Bálcãs "virtualmente não há resposta humanitária de instituições europeias. Os necessitados dependem da boa vontade de voluntários para terem abrigo, alimentos, roupas e assistência médica".

A Europa não está preparada para lidar com o maior fluxo de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial. Ela está improvisando às pressas novos mecanismos que permitam dar uma resposta coletiva como continente, em lugar de os países individuais o fazerem. Mas é uma corrida contra o tempo e o clima –uma corrida que a Europa não tem a certeza de que vá ganhar.

"Existe o risco de um colapso", disse Federica Mogherini, a chefe de política externa da UE.

"Quando enfrentamos um desafio e não possuímos os instrumentos necessários, corremos o risco de fracassar. Se não conseguirmos criar instrumentos comuns para lidar com isso ao nível europeu, correremos o risco de voltar à ilusão de que podemos enfrentá-lo com instrumentos nacionais, que muito evidentemente não funcionam."

Ela acrescentou: "Ou damos um passo grande e nos adaptamos, ou teremos uma crise de grandes proporções. Eu diria mesmo que é uma crise de identidade".

Muitos imaginaram que o fluxo de refugiados que chegam a Lesbos diminuiria com a chegada do inverno, mas não há sinais de que isso esteja acontecendo.

A ilha, que tem 85 mil habitantes, assistiu à chegada de 111 mil migrantes no mês passado. As pessoas continuam dispostas a fazer a travessia perigosa do mar Egeu, da Turquia para a Grécia, e há evidências de que os traficantes de pessoas ofereçam descontos a migrantes que não sejam avessos a arriscar a travessia quando o mar está revolto. Mas, segundo Kate O'Sullivan, da organização Save the Children, o frio não vai aumentar apenas o perigo da viagem –as próprias condições nos acampamentos vão criar riscos maiores.

No último fim de semana, uma tempestade atingiu Lesbos, e no campo de Moria, perto da capital, Mytilini, adultos e crianças desmaiaram devido à hipotermia. Alguns começaram a apresentar gangrena nas pernas e nos braços. Os pais tiveram que embrulhar seus filhos em sacos de lixo para mantê-los secos.

"Isso foi depois de apenas três dias de chuva, e não há sinal de que o número de refugiados que chegam esteja diminuindo", falou O'Sullivan. "Aqueles três dias foram chocantes. Nos deram um vislumbre do que está por vir."

Embora a temperatura tenha chegado ao máximo de 17ºC na terça-feira passada (27), com a chegada da noite ela caiu. No campo de Kara Tepe, que abriga até 2.000 refugiados, em sua maioria sírios, havia muito pouco para proteger as pessoas contra o frio.

Famílias tremendo se juntaram em torno de fogueiras improvisadas. Os adultos procuravam desesperadamente por cobertores ou roupas adicionais para as crianças. Qualquer abrigo disponível nas barracas e abrigos pré-fabricados já tinha sido ocupado durante o dia, obrigando os recém-chegados a se acomodarem sobre o chão frio, tendo apenas pedaços de papelão para fazer as vezes de isolamento térmico.

Aqueles que tinham tido a sorte de receber os cobertores cinzentos pesados distribuídos pela Acnur foram instruídos a não perdê-los de vista. Lesbos provavelmente será o lugar de clima mais ameno que os refugiados vão encontrar em sua jornada pela Europa em busca de um novo lar.

O'Sullivan diz que "o movimento está maior agora do que estava no meio do verão, quando o tempo estava perfeito. Este ritmo de chegada de migrantes vai se manter".

"Eu me preocupo com o tempo, me preocupo com uma mudança no vento, me preocupo com essa pobre gente pondo suas vidas em perigo, me preocupo sobre como vamos enfrentar essa situação. As vítimas vão precisar ser enterradas. Estão sendo feitos esforços para criar um novo cemitério", disse Spyros Galinos, prefeito de Lesbos

Idomeni é uma vila pequena e remota na fronteira da Grécia com a Macedônia. Um lugar antes tranquilo tornou-se um dos principais pontos que concentram a crise dos migrantes.

Não faz muito tempo, depois da decisão da polícia macedônia de fechar a fronteira temporariamente, a área foi palco da cena caótica da polícia repelindo milhares de refugiados que tentavam atravessar a fronteira para seguir caminho pela Europa. Mesmo em tempos mais calmos, muitos migrantes foram obrigados a ficar em condições miseráveis aqui –ao relento, no campo ou na estação ferroviária local, com pouco acesso a alimentos ou instalações sanitárias e praticamente nenhum abrigo.

Hoje, porém, a aparência do lugar é completamente outra.

O Acnur, a ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) e outras organizações montaram barracas para distribuir comida e oferecer assistência médica, além de uma dúzia de banheiros e lugares com água corrente para o consumo e a higiene das pessoas. Também há wi-fi disponível, porque para alguns dos migrantes que vêm para cá essa é a única maneira de manterem contato com suas famílias em casa.

Há até uma barraca destinada unicamente para as crianças, que, nas palavras de uma voluntária, passam a maior parte do tempo "desenhando seus sonhos numa folha de papel que fica aqui como lembrança de sua passagem por este lugar".

As estruturas atendem os milhares de refugiados e migrantes que passam pela área todos os dias. Mas, se os refugiados não conseguirem seguir viagem, demorando-se em um local projetado para ser um ponto de passagem de curta estadia, é evidente que a infraestrutura atual será insuficiente.

Com mais países europeus pretendendo fechar suas fronteiras, as ONGs que atuam em Idomeni temem um efeito dominó, que pode levar a uma crise humanitária em escala ainda maior.

E, com o inverno se aproximando, as pessoas vão enfrentar condições ainda mais difíceis. Essa é a razão principal do aumento dramático do número de refugiados que atravessam a fronteira. Às vezes até 6.000 pessoas a atravessam por dia, e o número está aumentando.

"Na quinta-feira passada (29), tivemos um recorde: mais de 10 mil pessoas atravessaram a fronteira", disse Luca Guanziroli, um funcionário da Acnur.

"Chegando aqui, estamos vendo que um país depois de outro está fechando suas fronteiras. Com o inverno chegando, o que vai acontecer conosco? Como ficarão meus filhos? Como eles vão aguentar o frio, chuvas pesadas ou até neve enquanto avançamos para o norte?", pergunta Mariam, 24, vinda do Afeganistão.

"Tivemos que caminhar por horas debaixo de chuva forte sem saber até onde ainda vamos ter que andar. O inverno está chegando, mas no momento a única coisa em que consigo pensar é em caminhar até minha liberdade. Preciso escapar da guerra. Eu, pessoalmente, não me importo com o tempo, só sinto pena das mulheres e de seus bebês, que são obrigados a passar por tudo isso só para terem uma vida melhor", diz Ahmed, 20, também do Afeganistão.

A FRONTEIRA ENTRE CROÁCIA E ESLOVÊNIA

Quando o sol começou a se pôr e a temperatura caiu, o ambiente no campo formado em volta da delegacia de polícia de Brezice ficou tenso. Cerca de mil refugiados fechados ali pelas autoridades eslovenas se apertaram contra a cerca, com seus filhos à frente.

"Somos refugiados, não criminosos. Por que você estão fazendo isto?" gritou uma pessoa, enquanto brigas começavam a pipocar.

Os refugiados vêm para Brezice a partir de Kljuc Brodovecki, na Croácia, atravessando uma pequena ponte de concreto sobre o rio Sotla.

Alguns atravessam andando o rio, que é raso, para chegarem à suposta segurança na Eslovênia. Alguns chegam à estação croata bem agasalhados, usando parcas; outros calçam apenas sandálias. Muitos usam os cobertores cinzentos do Acnur como agasalhos. Os cobertores são descartados ao lado da estrada, ou por estarem molhados e pesados ou porque os refugiados não sabem que ainda vão passar muito tempo ao relento.

"Qual é a distância até a Eslovênia? Está frio e meus filhos estão muito cansados", disse um homem alto que se identificou como Joseph, vindo do Kuait.

Ele é membro da minoria apátrida bedoon. Seus três filhos estão agarrados às suas pernas. Ao lado, um homem embrulhado em cobertor tossia e pedia um médico, enquanto voluntários distribuíam frutas e leite. Uma menina pequena arrastava seu ursinho de pelúcia no chão, esperando para fazer a travessia.

Os últimos dias têm sido relativamente amenos e sem chuva –a temperatura não caiu abaixo de 5º–, mas a neblina espessa sobre os campos e os morros intensificou a umidade fria. É provável que o frio aumente, e os países pelos quais os refugiados passam em trânsito não estão preparados para a queda de temperatura em um momento em que o fluxo de refugiados só faz crescer.

"Só espero que a situação seja controlada. Se isso não acontecer, vamos ter que nos acostumar a ver pessoas morrendo de frio na Europa. Os refugiados não têm condições imunológicas boas. Muitos já estão doentes. Eles atravessaram rios para chegar aqui" afirmou Ike, voluntário alemão da ONG eslovena Adra.

"Há neblina e fog, e eles precisam andar muito ainda. Eles estão totalmente exaustos, e alguns não conseguem caminhar mais. A situação é um pesadelo", disse Inge Schult, voluntária de Luxemburgo.

"Não conseguimos dormir ou comer, porque cada vez que eu como penso nas crianças deles e gostaria que estivessem comendo comigo", comentou Jelica, 86, moradora de Kljuc, na Croácia.

A temperatura já mergulhou para quase zero, e a neve já começou a cair em alguns lugares. E ainda há estimados 42 mil a 50 mil refugiados espalhados pela Alemanha abrigados nos acampamentos de barracas erguidos às pressas no verão e no outono.

Está em curso uma corrida urgente para transferi-los para alojamentos mais quentes, ao mesmo tempo em que milhares de outros continuam a chegar todos os dias.

Muitas das barracas de lona ganharam piso de madeira, algumas foram cercadas por caixas de pinho e algumas estão recebendo ar quente bombeado de aquecedores movidos a diesel. Mas as medidas são insuficientes e potencialmente perigosas.

Um grande esforço está sendo feito para encontrar imóveis apropriados vazios, desde cômodos em residências particulares até ginásios de esportes, prédios escolares não usados e quartéis fora de uso, chegando até a barracas de circo infláveis.

Em Berlim, foi encontrado espaço no aeroporto de Tempelhof –não utilizado como tal e até agora usado para desfiles de moda e conferências de informática– e no antigo centro de conferências ICC.

O senso de urgência está sendo reforçado por médicos em todo o país, que informam sobre o aumento do número de refugiados sofrendo de resfriados, gripes e pneumonia. Foram adquiridas dezenas de milhares de vacinas antigripe extras. A depressão também está em alta, agravada pela falta de privacidade; consta que muitos refugiados passam seus dias encolhidos sob as cobertas.

Na fronteira com a Áustria, onde muitos aguardam para poder entrar na Alemanha, um representante da polícia disse que a situação no verão já tinha sido um desafio, mas que o que se vê agora é muito mais crítico.

"Estamos fazendo tudo o que está ao nosso alcance para tirar as pessoas do frio o quanto antes", disse. "Mas não vai demorar para uma criança morrer congelada."

Foram lançados apelos por roupas e botas de inverno, cobertas, sacos de dormir, lonas para cobrir o chão e garrafas térmicas.

"Levei 30 dias apenas para conseguir registrar minha chegada. Passei um mês inteiro na LaGeSo, a repartição pública responsável por serviços sociais e de saúde em Berlim. Todos os dias das 7h às 19h. Estou preocupada com o frio. Recebi € 200 da LaGeSo e comprei um casaco grosso de inverno, porque sei que faz muito frio no inverno aqui", contou Noor, 16, vinda da Síria.

"Estou morando num ginásio de esportes no bairro de Neukolln, em Berlim. Minha cama fica na quadra de basquete. Não há privacidade, há 150 pessoas nesse espaço. Mas o clima é muito amigável. Iraquianos, afegãos e sírios estão convivendo pacificamente, apesar das condições desfavoráveis. Conheci muita gente boa que me levou para conhecer o lugar e ganhei algumas roupas que devem me manter agasalhado no inverno", afirmou o também sírio Adel Almasri, 22.

O número de pessoas acampadas em barracas e choças em Calais dobrou em algumas semanas, passando de 3.000 para 6.000, segundo o Ministério do Interior francês. E as condições estão se deteriorando rapidamente.

Na semana passada, a organização humanitária médica Doctors of the World registrou uma queixa oficial contra as autoridades locais francesas pelo tratamento inadequado dado à crise, que deixou milhares de pessoas vulneráveis, vivendo em barracas em condições de favela, sem acesso adequado a água, comida e banheiros, sobrevivendo sem aquecimento nem instalações para cozinhar.

A entidade descreveu as condições no campo como "uma violação de seus direitos e dignidade humanos".

Em setembro, antes de o acampamento inchar rapidamente, o representante especial das Nações Unidas para a migração internacional, Peter Sutherland, disse que as condições no acampamento exigem "o indiciamento da sociedade" e que ele levaria tempo para se recuperar do choque daquilo que testemunhou.

Desde então, a superlotação se intensificou, e as condições se agravaram, com cerca de cem pessoas chegando a cada dia, muitas depois de passarem meses viajando do Afeganistão, do Iraque, da Síria e do Sudão.

Em uma colônia de férias desocupada, há espaço para 200 mulheres e crianças, mas o lugar está lotado, e, desde o aumento no número de migrantes que chegam, veem-se muitas mulheres, crianças e famílias no acampamento.

O governo diz que até o fim do ano vai providenciar outros 200 leitos para mulheres e crianças em áreas aquecidas e prometeu construir um novo abrigo para 1.500 pessoas antes de o inverno começar.

Mas funcionários humanitários ressalvam que isso não será suficiente para a população rapidamente crescente do campo e questionam o que vai acontecer com os moradores remanescentes. Na terça-feira passada (27), 300 deles foram transferidos "voluntariamente" para abrigos em outros lugares do país.

A MSF se uniu à Doctors of the World no acampamento, trabalhando para melhorar os banheiros e o fornecimento de água, mas os voluntários estão espantados e chocados com a ausência de organizações humanitárias internacionais maiores.

As autoridades francesas fornecem 2.000 refeições quentes por dia, mas isso já não é o bastante, e as pessoas estão sendo alimentadas por grupos de voluntários do Reino Unido e da França.

Os moradores da "Selva de Calais" (que recebeu esse nome devido ao caos que reina no lugar) estão horrorizados com o estado do acampamento.

O farmacêutico Ahmad Ibrahim, 32, que fugiu da Síria neste ano, está no local há 52 dias, dividindo uma barraca com cinco outros sírios. Ele espera conseguir subir em um trem ou caminhão e assim chegar à Inglaterra, mas está exausto com as tentativas diárias de fugir da polícia.

Sua mulher, seu filho de 9 anos e suas filhas de 8 e 5 permanecem na Síria e esperam que ele chegue à Inglaterra e comece a trabalhar. "Fiquei espantado ao chegar aqui. A vida é muito dura. Fiquei chocado com a situação. Não há vida aqui. Tudo é difícil, não há água. Se você quer encontrar um banheiro limpo, tem que caminhar um quilômetro."

Quando 60 refugiados sírios chegaram ao pequeno vilarejo de Limedsforsen, perto da fronteira da Suécia com a Noruega, onde a temperatura já está quase em 0ºC –e cairá para 10ºC negativos até o Natal–, eles ocuparam o ônibus e fizeram fogueiras para se aquecer.

"Temos crianças e mulheres grávidas. Está frio demais, não há lojas nem médico aqui. Não é um lugar apropriado para ficarmos", disseram à mídia sueca. Em outros lugares, refugiados se queixam de que suas acomodações não têm eletricidade e que não há gás nas cozinhas.

Em Fredriksberg, refugiados ameaçaram fazer greve de fome depois de achar que tinham sido largados no meio do nada. "Precisamos de um lugar onde possamos estudar e ter uma vida boa. Viemos para a Suécia porque seria a terra da liberdade. Achamos que mentiram para nós", disse um deles.

Queixas como essas vêm atraindo críticas fortes nas mídias sociais da parte de suecos irritados com a "ingratidão" de refugiados. Mas, com a Suécia prevendo receber até 190 mil refugiados apenas neste ano –de longe o número mais alto da Europa em proporção à sua população–, está em curso uma corrida desesperada para encontrar abrigo para até 10 mil recém-chegados por semana.

Imóveis vazios estão sendo usados, e os padrões normalmente elevados definidos pelo serviço de imigração estão sendo deixados de lado. "Na situação atual, com muitos novos candidatos a asilo chegando a cada dia, o período de estadia em um local provisório pode ser estendido", informou o Conselho de Migração.

Na semana passada, um inventário feito dos imóveis no país revelou a existência de 60 mil leitos potenciais. Numa tentativa de impedir grandes concentrações de pessoas nas cidades, o governo está dispersando os refugiados por todo o país.

Refugiados eritreus enviados à Suécia dentro do plano de reassentamento da UE chegaram neste mês à cidade de Lulea, no norte do país, pouco ao sul do círculo ártico.

Em Revinge, no sul da Suécia, um acampamento de 350 barracas adjacente a um campo militar de prática de tiro aguarda seus primeiros ocupantes. As barracas têm aquecimento elétrico e isolamento térmico, além de acesso à internet.

Depois que o choque da chegada a lugares desconhecidos começa a se dissipar, os refugiados tendem a encarar sua nova situação com olhos positivos.

Mohammed Khalaf, um refugiado em Fredriksberg, disse que depois de um mês começou a gostar do lugar. Mas a grande incógnita é o inverno que se aproxima. "Talvez a gente venha a se arrepender mais tarde", disse.

Reportagem de JULIAN BORGER e ANDREW MACDOWALL, em Brezice; AMELIA GENTLEMAN, em Calais; KATE CONNOLY, em Berlim; DAVID CROUCH, em Gotemburgo; FRANCES PERRAUDIN, em Lesbos; SOFIA PAPADOPOULOU, em Idomenit