Folha de S.Paulo

Confira 10 promessas de Donald Trump, novo presidente dos EUA


Donald Trump tomou posse nesta sexta-feira (20) como 45º presidente dos Estados Unidos.

A chegada do republicano ao poder impulsiona movimentos de extrema-direita nos Estados Unidos e na Europa. Suas promessas de campanha ameaçam desmontar o legado de seu antecessor, Barack Obama, e sacudir a ordem política e econômica mundial.

Antes mesmo da posse de Trump, os republicanos já deram início no Congresso, onde são maioria, ao processo de desmonte da Lei de Saúde Acessível, implementada no primeiro mandato de Obama, que oferece subsídios às famílias mais pobres para contratação de planos de saúde. Conservadores consideram que a medida representa gastos excessivos para o governo federal. Após a revogação do programa, 18 milhões de americanos devem ficar sem cobertura de plano de saúde. O presidente prometeu apresentar uma lei que substitua o Obamacare assim que o Senado aprovar sua indicação para secretário de Saúde, Tom Price

Uma das promessas mais populares e controversas feitas por Trump durante a campanha eleitoral foi a construção de um muro ao longo de toda a fronteira com o México, com o objetivo de prevenir a entrada de imigrantes clandestinos e de drogas. Atualmente, há barreiras em 1.046 km dos 3.200 km da fronteira. Especialistas avaliam que a obra do republicano deverá ter um custo total de US$ 25 bilhões (R$ 80 bilhões). Trump disse fará o México pagar pelo muro, mas o país se recusa a arcar com os custos da obra. Para concretizar sua promessa, o republicano ameaçou interromper as transferências financeiras de imigrantes mexicanos para seus familiares fora dos Estados Unidos, resultando em perdas significativas de receita para o país latino-americano

3. BARREIRAS A IMIGRANTES MUÇULMANOS

Durante a campanha, Trump chegou a propor a proibição à entrada de muçulmanos nos EUA, mas, após receber críticas (nem mesmo seu escolhido para secretário de Justiça, Jeff Sessions, concorda com a medida), passou a defender restrições temporárias de viagem a pessoas oriundas de países com histórico de terrorismo e onde não haja mecanismos suficientes para verificar os antecedentes dos requerentes de visto de viagem. O presidente também é crítico à recepção de refugiados da guerra civil na Síria, dizendo que terroristas podem se infiltrar entre os requerentes de asilo

O magnata nova-iorquino já prometeu deportar todos os 11 milhões de imigrantes que vivem EUA sem visto de residência, mas depois recuou da proposta e afirmou que vai se concentrar em expulsar os 2 milhões de estrangeiros com condenação criminal. Trump também ameaçou cancelar vistos de países que se recusem a receber de volta os imigrantes deportados

Crítico da integração econômica internacional, Trump prometeu retirar os EUA de parcerias de livre comércio como o Nafta (Acordo de Livre-Comércio da América do Norte) e o TPP (Parceria Transpacífico). As negociações do TTIP, com a União Europeia, também devem ser congeladas. Repetindo o mantra de que "não ter um acordo é melhor do que um acordo ruim", o republicano afirmou que buscará negociar novos pactos comerciais que preservem a competitividade das empresas americanas

6. TRAZER EMPREGOS NA INDÚSTRIA DE VOLTA

Trump disse que vai impor taxas de até 35% sobre exportações de países como China e México para os EUA, com o objetivo de preservar os empregos na indústria do país. O magnata nova-iorquino acusa esses países de "roubar nossos empregos" ao oferecer mão de obra mais barata. A proposta agradou eleitores de parques industriais em decadência nos EUA, que deram vitória ao republicano mesmo em Estados tradicionalmente democratas. A perspectiva de que Trump abrirá uma "guerra comercial" preocupa investidores e governos estrangeiros

Apesar do deficit orçamentário do governo dos EUA e da promessa de reaquecer a economia com mais investimentos em infraestrutura, Trump garante que irá reduzir impostos para ricos e pobres. No caso de empresas, a alíquota deve cair de 35% para 15%. Escolhido para ocupar o cargo de secretário do Tesouro, Steve Mnuchin prometeu o maior corte de impostos desde a administração Ronald Reagan

Trump pretende expandir leis que favoreçam portadores de armas e retirar restrições sobre compradores e vendedores e sobre os tipos de armamentos vendidos. O republicano também prometeu apontar juízes para a Suprema Corte que defendam a Segunda Emenda da Constituição americana, a qual prevê o direito dos cidadãos a portar armas. Além disso, o magnata nova-iorquino quer endurecer as penas por violações ao direito de posse de armas e intensificar a repressão contra o crime organizado. Para prevenir massacres a tiros, Trump sugere a ampliação do atendimento a pessoas com problemas de saúde mental

Durante a campanha eleitoral, Trump repetiu diversas vezes que destruirá o Estado Islâmico (EI), facção terrorista que controla territórios na Síria e no Iraque. Ele acusou seu antecessor, Barack Obama, de ter "criado" a facção ao financiar grupos armados envolvidos na oposição ao regime do ditador sírio, Bashar al-Assad. Para combater o EI, o republicano defende operações militares "agressivas" (não está claro se ele pretende enviar tropas para lutar contra a facção), unir esforços com a Rússia e aumentar a cooperação com governos de países islâmicos dispostos a combater o terrorismo. Trump também prometeu derrotar a ideologia do terrorismo islâmico, assim como se fez com o comunismo durante a Guerra Fria

Prometendo "drenar o pântano" das conexões entre políticos e empresários, Trump quer proibir funcionários públicos e congressistas de fazer lobby no governo por cinco anos após eles deixarem seus cargos. Além disso, o republicano defende afastar permanentemente das atividades de lobby funcionários de alto escalão que ajam em benefício de governos estrangeiros. Embora Trump tenha prometido restaurar a ética governamental nos EUA, críticos afirmam que a decisão dele de manter o controle de seus negócios com familiares durante a Presidência representa conflito de interesses com a administração pública