Folha de S.Paulo

Agricultor francês é multado por ajudar migrantes


Um fazendeiro francês acusado de ter ajudado migrantes a cruzar a fronteira vindos da Itália foi condenado nesta sexta-feira (10) a uma multa equivalente R$ 10 mil.

Cedric Herrou não negava as acusações e chegou a criticar o governo francês ao afirmar que ele estava apenas cumprindo seu dever, diante da inação do Estado.

Ele tornou-se uma espécie de herói regional e a multa, que poderá ser suspensa, deve ser celebrada por sua defesa. A Promotoria havia pedido oito meses de prisão.

A questão migratória é central no debate público francês durante estes meses, precedendo as eleições presidenciais, com primeiro turno agendado para 23 de abril.

Migrantes chegam vindos de países do norte da África e do Oriente Médio, fugindo de guerras ou da pobreza.

O governo francês foi criticado em 2016 por desmontar o campo de refugiados de Calais, localizado próximo a uma rota de travessia para o Reino Unido, onde organizações humanitárias afirmam que houve descaso especialmente em relação às crianças desacompanhadas.

Herrou tem uma fazenda de oliveiras entre a França e a Itália, onde transportou dezenas de refugiados. Ele abrigou migrantes em uma casa em Tourrettes-sur-Loup, de onde seguiram para Paris.

Seu gesto teve um simbolismo específico, pois a mesma região foi utilizada por judeus para escapar da perseguição nazista durante a Segunda Guerra (1939-1945).

O fazendeiro diz que os refugiados correm risco ao cruzar a fronteira seguindo as linhas dos trens, razão pela qual a ajuda é fundamental.

A Folha conversou com o advogado de Herrou, Zia Oloumi, em janeiro passado.

Oloumi afirmou, na ocasião, que "se o que ele fez é ilegal, então precisamos mudar as leis". "Não podemos ter uma legislação que seja contra os valores humanos."

A defesa argumentava que o fazendeiro havia agido motivado pelos valores da república francesa: a liberdade, a igualdade e a fraternidade.