Folha de S.Paulo

Coreia do Norte reforça defesas após manobras militares dos EUA


A Coreia do Norte reforçou as suas defesas na costa leste do país após os Estados Unidos realizarem exercícios militares com bombardeiros próximos à região, disse nesta terça-feira (26) a agência de notícias sul-coreana Yonhap.

O parlamentar sul-coreano Lee Cheol-uoo afirmou que foi informado pela agência de inteligência de seu país que a Coreia do Norte movimentou uma aeronave para a sua costa leste e está adotando outras medidas em resposta aos exercícios militares americanos.

Em nova demonstração de força, a Força Aérea dos Estados Unidos realizou no sábado (23) exercícios com Bombardeiros B-1B Lancer e jatos de combate no espaço aéreo internacional, mas próximo ao território norte-coreano.

Segundo Lee, os Estados Unidos aparentemente divulgaram intencionalmente a rota de voo de suas aeronaves, uma vez que a Coreia do Norte parecia não estar ciente da proximidade.

Em contraste com a declaração do parlamentar sul-coreano, o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Joseph Dunford, afirmou que Pyongyang não havia alterado sua conduta militar apesar da escalada de tensões dos últimos dias.

Na segunda (25), o regime norte-coreano afirmou que o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou guerra ao país e, com isso, tem o direito de derrubar aviões que sobrevoarem próximos à península coreana, mesmo que as aeronaves estejam fora de seu espaço aéreo. Washington nega a acusação.

As atividades agravaram ainda mais a tensão entre Coreia do Norte e os EUA, que voltou a aumentar nos últimos dias, com líderes dos dois países trocando ameaças na Assembleia Geral da ONU.

Trump chegou a afirmar que seu país pode ter que "destruir" Pyongyang, e o ministro das Relações Exteriores norte-coreano, Ri Yong-ho, disse ser inevitável que a Coreia do Norte lance mísseis contra os EUA.

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Também nesta terça (26), a China afirmou que um conflito envolvendo a Coreia do Norte não teria vencedor.

"Uma guerra na península coreana seria ainda pior para a região", disse o porta-voz do ministério chinês das Relações Exteriores, Lu Kang. "As provocações mútuas podem apenas aumentar o risco de um confronto".

O secretário de Defesa norte-americano, Jim Mattis, por sua vez, disse que Washington procura uma solução diplomática para resolver a crise com a Coreia do Norte.

Segundo ele, entretanto, os EUA conservam "paralelamente a capacidade para enfrentar as ameaças mais perigosas da Coreia do Norte".