Folha de S.Paulo

Putin diz não ter certeza do sucesso de um ataque contra a Coreia do Norte


Opositor declarado a uma intervenção militar na Coreia do Norte, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse nesta quarta-feira (4) que não há certeza de sucesso de um ataque militar porque o regime de Kim Jong-un pode ter instalações militares escondidas.

"Será possível um ataque global contra a Coreia do Norte para desarmá-la? Sim. Atingirá seu objetivo? Não sabemos. Quem sabe o que eles têm lá e onde. Ninguém sabe com cem por cento de certeza, já que é um país fechado", declarou Putin.

A abordagem cautelosa de Putin destoa do tom adotado pelo presidente americano Donald Trump, que tem repetidamente feito ameaças à Coreia do Norte e pedido a imposição de sanções econômicas cada vez mais duras.

Em uma rede social, Trump escreveu que disse ao Secretário de Estado americano, Rex Tillerson, que este estava "perdendo tempo tentando negociar com o homem do foguete [Kim Jong-un]".

Em seu primeiro discurso à Assembleia Geral da ONU, em setembro deste ano, Trump disse que "se [os EUA] forem forçados a se defender ou a defender seus aliados, não teremos outra a escolha que destruir totalmente a Coreia do Norte.

No início de outubro, o presidente americano fez uma de suas mais contundentes ameaças à Coreia do Norte ao declarar que "eles [a Coreia do Norte] enfrentarão fogo e fúria como o mundo jamais viu".

Putin, por sua vez, tem advogado pela adoção de incentivos econômicos e por uma diplomacia atuante que permita negociações entre as partes.

"Mais sanções são uma estrada a lugar nenhum", disse o presidente russo, afirmando que cerca de 40 mil cidadãos norte-coreanos trabalham na Rússia. Sabe-se que estes trabalhadores enviam parte de seus salários com frequência às autoridades da Coreia do Norte.

Putin também disse que a Rússia tem mais razões que a maioria dos países para se preocupar com o programa balístico de Pyongyang, já que o local onde o regime realizou testes nucleares fica a menos de 200 km de distância da fronteira russa.