Folha de S.Paulo

Manifestantes presos em SP viram réus


A Justiça aceitou denúncia do Ministério Público contra os manifestantes Fábio Hideki Harano e Rafael Lusvarghi, presos sob suspeita de participação em protestos violentos em junho, durante a Copa.

Desde a segunda (21) eles são réus em processo sob a acusação de associação criminosa, incitação ao crime e outros. Em caso de condenação, a soma das penas pode ultrapassar quatro anos de prisão.

Ambos negam as acusações. O advogado de Harano, Luiz Eduardo Greenhalgh, disse que um recurso pedindo a absolvição sumária do manifestante, que é funcionário da USP, será apresentado nos próximos dias.

A Folha contatou a Defensoria Pública, que defende Lusvarghi, mas a entidade disse que não comentaria o caso até ser notificada.

A denúncia, acolhida pelo juiz Marcelo Matias Pereira, da 10ª Vara Criminal de São Paulo, foi feita pelo Ministério Público, que se baseou na investigação da polícia.

Segundo a denúncia, à qual a Folha teve acesso, ambos se associaram "de forma armada com o fim específico de cometer crimes" durante atos no período do Mundial.

Os promotores afirmam que os dois manifestantes portavam artefatos explosivos no protesto contra a Copa realizado no dia 23 de junho.

Ainda de acordo com a denúncia, os crimes cometidos pelos dois ativistas presos são contra o patrimônio público e privado e "contra a integridade física de policiais e outros agentes mediante violência física e explosivos".

Tanto Harano como Lusvarghi, que é ex-policial militar, negam que portassem bombas e dizem desconhecer os objetos apresentados na delegacia como sendo deles.

Os explosivos descritos pela polícia são um "artefato incendiário de fabricação rudimentar", que estava na bolsa de Harano, e um objeto semelhante a um coquetel molotov e um frasco de iogurte "com cheiro de combustível", que estavam com Lusvarghi –segundo policiais que fizeram a prisão, ele despejou o líquido antes de ser flagrado.

Ainda de acordo com a polícia, os dois se conheciam, pareciam ter "relacionamento íntimo" e demonstraram liderança num grupo de 'black blocs' –manifestantes que defendem a depredação do patrimônio durante protestos.

O inquérito policial inclui filmagens que mostram Harano dando ordens nos atos.

Ele usava um capacete e uma máscara de gás no dia da prisão. Entre os documentos apreendidos com o manifestante estão atas de reunião do movimento sindical da USP e panfletos de protesto.

Nesta terça (22), o Tribunal de Justiça negou recurso para pedir a soltura de Harano.

Colaborou REYNALDO TUROLLO JR.