Folha de S.Paulo

Advogados dos presos do mensalão se preparam para pedir perdão natalino


Com a assinatura do decreto de indulto natalino pela presidente Dilma Rousseff, as defesas dos condenados no mensalão, como a do ex-ministro José Dirceu e a do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, se preparam para requerer ao STF (Supremo Tribunal Federal) o perdão das penas aplicadas aos seus clientes.

Pelas regras do indulto, o beneficiado fica livre de cumprir o restante da pena e de outras medidas judiciais, como se apresentar à Justiça periodicamente.

O indulto está previsto na Constituição e é tradicionalmente concedido pelo presidente da República no Natal. Leva em consideração critérios que são preestabelecidos pelo Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, ligado ao Ministério da Justiça.

Entre as regras para o perdão estão o cumprimento da pena em regime aberto, condenações inferiores a oito anos, não reincidentes e, se reincidentes, desde que tenham cumprido um quarto da pena.

A concessão do benefício não é automática. Os advogados de cada um dos condenados terão que requisitar o indulto à Justiça. No mensalão, o ministro do Supremo Luís Roberto Barroso, relator da execução das penas, vai analisar se os requisitos estão preenchidos.

O ex-ministro José Dirceu foi condenado no mensalão a 7 anos e 11 meses de prisão e cumpria prisão domiciliar quando acabou preso novamente, a pedido da Justiça do Paraná, por suposta participação no esquema de desvios de recursos da Petrobras.

O petista ainda não foi condenado nesse caso, que aguarda sentença do juiz Sérgio Moro, portanto, não é considerado reincidente.

Segundo o advogado do ex-ministro, José Luís de Oliveira Lima, o pedido de extinção da pena deve ser apresentado ao STF no começo de 2016.

Para Lima, o fato de Dirceu estar implicado na Lava Jato não terá efeito sobre o perdão no mensalão. "O decreto é claro e a lei está do lado do meu cliente", afirmou o advogado.

Com a nova prisão de Dirceu, a Procuradoria-Geral da República pediu que ele volte a cumprir pena em regime fechado pelos crimes do mensalão. O Supremo ainda analisa o caso.

O advogado Frederico Donati, que é responsável pelo caso de Delúbio, afirmou que pedirá o benefício já na próxima semana.

O ex-deputado José Genoíno (PT-SP) e o ex-tesoureiro do extinto PL (atual PR) Jacinto Lamas, também condenados no mensalão, já receberam o benefício do Supremo, tendo as penas extintas, e, atualmente, são considerados homens livres.