Folha de S.Paulo

Lava Jato coloca país em 'regime de exceção', diz PT


Após o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ser alvo nesta sexta-feira (4) de mandado de condução coercitiva para prestar depoimento, o PT (Partido dos Trabalhadores) divulgou nota dizendo que "a nação está sendo sangrada pela construção de um regime de exceção", com "ataque à democracia e à Constituição".

A manifestação do partido faz parte da série de críticas feitas às ações da 24ª fase da Lava Jato. Desde o início da operação, petistas deram declarações contra o juiz Sérgio Moro e a polícia.

Lula foi alvo de mandados de condução coercitiva (quando o investigado é levado para depor e depois liberado) e busca e apreensão em seu apartamento em São Bernardo do Campo e depois encaminhado ao aeroporto de Congonhas, em São Paulo, onde prestou depoimento.

Essa fase da operação, batizada de Aletheia, apura se empreiteiras e o pecuarista José Carlos Bumlai favoreceram Lula por meio do sítio em Atibaia e o tríplex no Guarujá. O ex-presidente nega as acusações.

"O festival de investigações seletivas, vazamentos ilegais e atropelos de garantias individuais evidencia que a nação está sendo sangrada pela construção de um regime de exceção e arbítrio, sob o comando de forças conservadoras cujo único objetivo é voltar ao governo a qualquer custo", afirma o comunicado do PT.

O partido pede que a militância se mantenha mobilizada, e chama os correligionários a defender, "nas ruas e nas instituições, as regras constitucionais e a inocência do ex-presidente Lula" –o ex-presidente é classificado como o principal líder do povo brasileiro.

Hoje, houve protestos de partidários do PT no aeroporto de Congonhas, em São Paulo e também nas proximidades do apartamento de Lula em São Bernardo do Campo, de onde ele foi levado.

MANIFESTAÇÕES

O presidente da legenda em São Paulo, Emídio de Sousa, afirmou que o juiz Sérgio Moro e a PF passaram dos limites e armaram um "espetáculo patético e vergonhoso". "Foi desnecessário."

O líder do partido na Câmara dos Deputados, Afonso Florence (BA), considerou a nova fase da Lava Jato "ilegal", "política" e "golpista". "Essa ação confirma que se trata de uma operação política e ilegal, atacando o presidente Lula, o PT e principalmente as conquistas populares do último período."

Por meio de nota, o ministro do Trabalho e Previdência Social, Miguel Rossetto, disse estar "perplexo e indignado" com a condução coercitiva do ex-presidente da República. "O presidente Lula já prestou depoimento e sempre se colocou à disposição das autoridades. Isso não é justiça, isso é uma violência."

O ex-ministro Gilberto Carvalho classificou a ação desta sexta (4) um "ato de perseguição política". "Quero ver as delações sobre as doações de empreiteiras para Aécio [Neves]", afirmou. "Mexer com o Lula por causa de uma chacrinha e de um apartamento? Que não é dele. É uma ofensa."

LEIA ABAIXO A ÍNTEGRA DA NOTA DO PT:

A condução coercitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva representa um ataque à democracia e à Constituição.

Trata-se de novo e indigno capítulo na escalada golpista que busca desestabilizar o governo da presidente Dilma Rousseff, criminalizar o Partido dos Trabalhadores e combater o principal líder do povo brasileiro.

Setores do aparato policial e judicial do Estado, mancomunados com grupos de comunicação e a oposição de direita, são o centro dirigente de uma operação destinada a subverter o resultado das urnas.

O festival de investigações seletivas, vazamentos ilegais e atropelos de garantias individuais evidencia que a nação está sendo sangrada pela construção de um regime de exceção e arbítrio, sob o comando de forças conservadoras cujo único objetivo é voltar ao governo a qualquer custo.

Estes mesmos grupos reacionários, no passado, recorriam aos quartéis. Agora aliciam inimigos da democracia nos tribunais, no Ministério Público e na Polícia Federal, estimulados e protegidos pela imprensa monopolista.

O ex-presidente Lula é o alvo maior de quem não aceita o processo de transformação iniciado em 2003, marcado pela mudança de vida e o crescente protagonismo dos trabalhadores da cidade e do campo.

O Partido dos Trabalhadores, nesse momento de afronta ao sistema democrático e à soberania popular, reafirma a mobilização permanente da militância. Os petistas estão chamados a defender, ao lado de nossos aliados, nas ruas e nas instituições, as regras constitucionais e a inocência do ex-presidente Lula.

Que não se iludam os pescadores das águas turvas do golpismo: o povo brasileiro, do qual o ex-chefe de Estado é seu filho mais ilustre, saberá resistir e derrotar as forças do ódio e do retrocesso.