Folha de S.Paulo

Homens brancos ganharam cinco vezes mais que mulheres negras na eleição


Saldo eleitoral

Nas eleições de 2016, as mulheres negras que tentaram conquistar uma vaga na política municipal tiveram que trabalhar com uma quantidade menor de dinheiro em comparação a seus adversários.

Segundo levantamento feito pela Folha com base em dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ao se levar em conta todo tipo de receita —incluindo pessoas físicas, repasses do partido e outros—, elas tiveram que trabalhar com uma média de R$ 1,9 mil.

Considerando apenas as contribuições recebidas de pessoas físicas, o valor foi de R$ 905.

Homens brancos estavam no outro extremo. Tiveram, em média, R$ 9,4 mil para investir em suas campanhas, montante quase cinco vezes maior do que o recebido pelas mulheres negras.

Em doações vindas de pessoas físicas, foram R$ 3,8 mil, mais de quatro vezes maior na comparação.

De maneira geral, em média, mulheres receberam menos da metade do dinheiro recebido por homens.

A diferença financeira se refletiu no número de vagas conquistadas.

Das 12,6 mil mulheres negras que tentaram a eleição como prefeitas ou vereadoras, 358 (3%) foram eleitas. Enquanto entre os 166,3 mil homens brancos, 34,6 mil (21%) se elegeram.

As informações do resultado da eleição não estavam disponíveis para cerca de 20 mil candidatos. Eles não foram considerados nessa conta.

Segundo o levantamento da Folha, quanto maior a escolaridade de um candidato, mais dinheiro ele tende a receber.

Candidatos com ensino superior completo receberam uma média de R$ 14,6 mil entre doações e repasses do partido. Quem tem o ensino médio completo, R$ 3,9 mil. Já os que estudaram até o ensino fundamental obtiveram valor médio de R$ 2,9 mil.