Folha de S.Paulo

Acadêmicos protestam contra evento de Bolsonaro nos EUA


Acadêmicos brasileiros e ativistas contrários ao deputado federal Jair Bolsonaro (PSC) fizeram um abaixo-assinado para tentar impedir a palestra do presidenciável na Universidade George Washington, na capital americana, no próximo dia 13.

A manifestação tinha, até a noite de quinta (5), mais de 400 assinaturas. Segundo o texto, o evento com Bolsonaro na universidade "faz parte de um tour que busca validá-lo como um candidato viável para a Presidência brasileira e suavizar sua imagem preconceituosa para cortejar mais votos liberais".

"Estamos escrevendo essa carta para protestar contra sua capacidade de fazer isso na sua instituição", diz o abaixo-assinado escrito em inglês, segundo o qual Bolsonaro vem sendo chamado de "Donald Trump brasileiro".

"Ao recebê-lo na sua universidade e permitir que ele fale, sua instituição estará ajudando um extremista de direita racista, sexista e homofóbico a conseguir reconhecimento internacional e solidificar a viabilidade política de sua candidatura, colocando efetivamente as comunidades vulneráveis no Brasil em grande risco de crescente discriminação e violência", completa.

O texto enumera dez pontos para exemplificar por que Bolsonaro merece uma "forte condenação", entre eles suas manifestações favoráveis à ditadura militar e elogio ao coronel Brilhante Ulstra, acusado de comandar a tortura no DOI-Codi, e a declaração, feita em 2014 no Congresso, de que não estupraria a deputada Maria do Rosário (PT-RS) porque ela "não merece". Bolsonaro foi condenado em 2015 a indenizar a colega em R$ 10 mil.

Em resposta, Mark Langevin, diretor da Iniciativa Brasil, da Escola Elliott de Assuntos Internacionais da Universidade George Washington, disse reconhecer "que muitos se opõem a qualquer diálogo com o deputado", mas afirmou que a programação está mantida.

"Ainda assim, democracia requer respeito e bom senso com todos, mesmo com aqueles que têm opiniões e promovem preferências de políticas questionáveis, se não antidemocráticas", escreveu Langevin, em carta datada de quinta (5).

Segundo o diretor do instituto que organiza a palestra para cerca de 200 pessoas, questionar Bolsonaro sobre "seu compromisso com as regras democráticas" e posições de governança é "vital para entender o Brasil" e uma oportunidade para contribuir com o debate democrático.

Na carta, Langevin diz que seu instituto "não endossa as provocações de Bolsonaro", mas que o convite foi feito para que o deputado "esclareça e debata suas posições".

"Aqueles que assinaram a carta aberta () estão certos em questionar e denunciar os comentários nocivos feitos pelo deputado. O seu uso de metáforas violentas e das mídias sociais para confrontar aqueles de quem ele não gosta é perturbador", escreveu Langevin.

Além de Washington, Bolsonaro passará por Miami, Nova York e Boston, numa viagem de uma semana a partir de domingo (8), na qual participará de eventos com empresários e investidores e membros da comunidade brasileira.