Folha de S.Paulo

Delatores são perseguidos por dizerem a verdade, afirma Wesley Batista


O delator Wesley Batista, sócio da JBS, afirmou em depoimento à CPI que delatores estão sendo perseguidos "pelas verdades que disseram".

Preso desde o início de setembro, o empresário disse, no entanto, que não se arrepende de ter virado um colaborador da Justiça.

Wesley falou por cerca de dois minutos, mas anunciou a senadores e deputados que ficaria em silêncio e não responderia a perguntas durante a sessão desta quarta-feira (8).

"O que vejo nesse momento são colaboradores sendo punidos, perseguidos pelas verdades que disseram", afirmou o executivo, chamando o momento pelo qual o país passa de "retrocesso".

"As delações dos últimos anos fizeram o país se olhar no espelho. Mas como ele não gostou do que viu, o resultado tem sido esse: colaboradores presos, delatados soltos", disse.

Ele, o irmão Joesley Batista e mais cinco diretores da JBS firmaram em maio um acordo de delação premiada com a PGR (Procuradoria Geral da República), com a garantia de imunidade.

Wesley, porém, foi preso acusado de ter se aproveitado da colaboração para lucrar no meio de uso de informações privilegiadas no mercado.

Joesley e o diretor Ricardo Saud também foram presos, acusados de omitir informações durante o processo de colaboração.

"Estou sendo preso por um crime que jamais cometi. Jamais descumpri o acordo de colaboração celebrado com o MPF", disse Wesley.

Wesley disse também ter descoberto que o processo de se tornar delator é "imprevisível e inseguro".

Mesmo declarando que ficaria em silêncio, a CPI da JBS decidiu que ele teria de ficar na sessão até o final.

Alguns parlamentares chegaram a fazer perguntas, que foram todas respondidas da mesma forma: "vou permanecer calado".

Deputados e senadores questionaram Wesley sobre a participação do ex-procurador Marcello Miller no processo de delação premiada.

A Folha revelou nesta quarta um e-mail que mostra orientações de Miller de como a JBS deveria se portar em reuniões com a PGR.