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    Veja as dez características das empresas dos sonhos dos jovens

    CAMILA DE LIRA
    COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

    27/09/2015 01h14

    Escritórios descolados, com videogames e sofás coloridos, não são o bastante para atrair os jovens ao mercado de trabalho. Existem outras características como a cultura da empresa, a imagem que ela passa e como ela trata da carreira de seus profissionais que as tornam mais atrativas.

    A Folha conversou com oito das dez empresas dos sonhos dos jovens, segundo o ranking da Cia Talentos, para entender quais as características que os jovens brasileiros procuram. Confira abaixo:

    1. Desafio profissional

    Nas "empresas dos sonhos" dos jovens, o desenvolvimento profissional vem por meio de desafios constantes. Nelas, os profissionais são encorajados a "colocar a mão na massa" e, até mesmo, a errar para, assim, aprender com seus erros. Para Daniel Borges, gerente de recrutamento do Google para a América Latina, o ambiente de trabalho desafiador estimula os profissionais.

    "Hoje em dia, o jovem é aberto para a ideia de que a experiência faz mais sentido para a formação da carreira, e um ambiente desafiador é necessário para isso", diz Carla Soutelinho, gerente de Educação Corporativa da Vale, empresa que ficou em 4º lugar no ranking e que possui o "ambiente desafiador" como característica principal.

    E é isso que mais atrai os jovens. "O que a gente mais quer é trabalhar e alguém que nos dê um projeto desafiador para extrapolar o nosso limite. Não queremos um ambiente de trabalho 'cool', o que a gente busca mesmo é trabalhar", diz Lia Gurjão, 24, trainee de RH da Nestlé.

    2. Ser você mesmo

    O fato da empresa ter um ambiente informal, onde é possível não só se vestir de maneira ligada ao seu estilo, como também se expressar do seu próprio jeito, é algo presente na maioria das empresas do ranking.

    O maior exemplo desta cultura é mesmo na empresa que lidera a lista. "Busca constante por inovação, a estrutura pouco hierarquizada e a promoção de um ambiente inclusivo onde as pessoas podem ser elas mesmas são aspectos que caracterizam a cultura do Google", afirma Daniel Borges. A Ambev (6º lugar) e o Itaú (8ºlugar) também seguem essa cultura, com ambientes mais informais de trabalho.

    3. Conversas com os diretores

    A comunicação aberta com os gestores vai além do feedback mensal ou semestral, pelo menos nas empresas valorizadas pelos jovens. "O jovem que está entrando no mercado de trabalho tem mais facilidade de comunicação, ele tem uma proximidade e uma informalidade para falar com o chefe e até com o CEO da empresa", diz Clarice Dahis, coordenadora do departamento de carreiras e apoio educacional do Ibmec.

    Mesmo em empresas de áreas mais formais, como a Odebrecht (3º) ou o Itaú (8º), as ideias dos jovens profissionais podem ser acatadas em reuniões. No Google (1º), o incentivo é para que os funcionários interajam entre si, independente de seus cargos.

    A característica também está ligada à hierarquização horizontal, como a feita pelo Google e pela Ambev, onde não há sala para dividir diretores, gestores, assistentes e estagiários.

    4. Saber onde estará

    Estabilidade e clareza no plano de carreira podem até ser "caretas", mas podem ajudar o jovem ao entrar na empresa.

    Ao saber qual caminho ele terá que trilhar para chegar a uma posição mais alta na companhia, o jovem pode focar em desenvolver melhor a sua carreira.

    Tanto a PwC (5º) quanto a Nestlé (7º) optam por deixar o plano de carreira claro para os jovens que entram. "Temos a carreira clara e estruturada, o jovem pode ter noção quanto tempo deve passar por cada categoria até atingir uma posição. Ele precisa ter essa clareza de que não vai chegar a ser sócio da empresa em poucos anos de trabalho, mas fica sabendo o que precisa fazer para chegar lá", afirma Marcelo Sartori, diretor de recursos humanos da PwC.

    5. Horários flexíveis

    Poder fazer seu próprio horário é o sonho de qualquer profissional, seja ele jovem ou não. Algumas das empresas do ranking já o tornaram realidade, é o que acontece no Itaú, no Google, na PwC e na Nestlé. Em certas áreas destas companhias, há flexibilidade para se fazer home office, entrar mais tarde ou dar uma parada no meio do expediente.

    6. Confiança nos funcionários

    Jovens procuram por empresas que os valorizem e confiem em seus trabalhos. E as empresas dos sonhos tentam responder à altura. A autonomia do funcionário, bem como a confiança no seu trabalho é um dos motes da Ambev, 6º no ranking. "O funcionário tem autonomia para tocar o negócio dele sem ter alguém decidindo sempre por ele", afirma Renato Biava, diretor de Desenvolvimento de Gente, da Ambev.

    7. Marcas e nomes importam

    "O nome forte atrai", atesta Sérgio Fajerman, diretor-executivos de pessoas do Itaú. Para Clarice Dahis, a geração que está entrando no mercado de trabalho anseia em fazer parte de grandes projetos, assim, as empresas maiores aparecem como nome altamente sedutor para os jovens profissionais. Para Rigolon, da Nestlé, o fato da companhia ter produtos e serviços já conhecidos pelos jovens ajuda na sua decisão profissional.

    A segunda principal motivação dos jovens ao escolher a empresa dos sonhos, segundo a pesquisa da Cia de Talentos, foi a boa imagem da empresa no mercado. Boa imagem esta que, nem sempre está ligada ao momento atual da empresa, muito mais com o trabalho. É o caso da Petrobras, que, mesmo passando por escândalos ligados à corrupção, segue em segundo lugar no ranking de empresas dos sonhos.

    "Até hoje, os processos seletivos públicos da Petrobras têm atratividade entre os jovens. Há uma percepção por parte deles que a corrupção é uma escolha do profissional e não uma decisão corporativa", diz Lairton Correa, gerente de gestão de efetivo da empresa.

    8. Fora do ninho

    Existe algo em comum entre nove das dez primeiras empresas do ranking: todas são multinacionais. Nelas, há uma abertura para que os profissionais possam trabalhar fora do Brasil, característica que faz sucesso entre os jovens.

    Empresas como o Google e a Odebrecht abrem espaço para que os profissionais atuem nos seus escritórios em diversos continentes do mundo. "A carreira internacional é uma perspectiva real, os jovens podem receber oportunidades de trabalhar no exterior, em todos os países onde a empresa trabalha, depois de alguns anos de trabalho", diz Daniel Villar, vice-presidente de pessoas e organização da Odebrecht.

    A mobilidade interna também chama atenção dos jovens, como explica Lia. A trainee da Nestlé teve oportunidade de ir para Bahia nos seus primeiros meses de trainee e viu a experiência como positiva. "Foi bom poder conhecer culturas diferentes", diz.

    9. Várias empresas em uma

    Quando a empresa tem várias áreas, há mais espaço para o jovem encontrar o caminho e o segmento onde poderá fazer o que gosta. Companhias como a Nestlé, a Odebrecht, o Google, o Itaú e a Vale abarcam diversos setores e apresentam diversas trilhas por onde o jovem profissional pode seguir. "A grandeza da empresa traz o benefício da pessoa poder trabalhar em várias empresas dentro de uma. Não precisa sair da companhia para tentar desafios diferentes", afirma Gilberto Rigolon, gerente executivo de desenvolvimento, treinamento e recrutamento da Nestlé.

    10. Vida pessoal em foco

    Para Clarice Dahis, do Ibmec, a geração que está entrando no mercado valoriza bastante o tempo para a vida pessoal. "Ele quer ter a vida fora do trabalho também", diz. Uma das características das empresas dos sonhos é de saber olhar o profissional como uma pessoa, e não apenas um funcionário. O Google dá o exemplo, ao dar subsídio de até 75% para cursos de formação profissional, além de licenças maternidade e paternidade estendidas e subsídio para gastos com a criança nos primeiros 3 meses de idade. "A ideia é que as pessoas sintam-se apoiadas em momentos significantes de suas vidas", diz Borges.

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